Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Cyane Panine, de 24 anos, é uma das 40 vítimas do incêndio que devastou o bar Le Constellation, em Crans-Montana, na noite de Ano-Novo. Fotografias divulgadas antes do início do fogo mostram a jovem com duas garrafas de champanhe onde estavam acesas velas/bengalas de festa, e usando um capacete de champanhe Dom Pérignon enquanto era erguida nos ombros de um colega.
Segundo depoimentos da família e dos proprietários do estabelecimento, Cyane nasceu na região do Gard, no Sul da França, e passou a infância em Sainte-Anastasie e Bouillargues. Mais tarde passou a viver em Sète, nos arredores de Montpellier. Os pais, que trabalharam anos como comerciantes após uma vida em viagens de veleiro pelo mundo, retornaram ao Gard. A jovem foi contratada como barista de temporada para a temporada de inverno na Suíça.
No estabelecimento suíço, Le Constellation, Cyane teria se tornado parte da família dos proprietários. Mantinha vínculo afetivo com o entorno do bar: era próxima a Jacques Moretti e mantinha um relacionamento com Jean-Marc, apontado como afilhado do proprietário. Na noite da tragédia, estava escalada para a recepção no piso térreo, mas atendeu ao pedido de Jessica Moretti de descer ao rebaixado para ajudar no serviço de mesas.
Relatos compilados pela reportagem indicam que, durante a celebração, foram acesas diversas bengalas de festa próximas ao teto. Uma das chamas teria tocado o gargalo das garrafas que Cyane segurava; daí teria ocorrido a ignição dos painéis fonoabsorventes do teto, que, segundo apuração, não eram resistentes ao fogo. Em consequência, o fogo se alastrou com extrema rapidez.
Os proprietários contam que tentaram reanimar a jovem por mais de uma hora. Ainda assim, Cyane foi encontrada fora do estabelecimento com o corpo gravemente queimado; sua identificação só foi confirmada três dias depois. O funeral ocorreu em 10 de janeiro na cidade natal dos pais.
A advogada Sophie Haenni, que representa a família, afirma que a jovem não tinha qualquer responsabilidade sobre o curso dos eventos. Segundo Haenni, Cyane não recebeu formação em segurança específica para situações de risco — uma obrigação que recairia sobre o local. A defesa ressalta que caberia ao estabelecimento cumprir as normas técnicas e submeter-se a inspeções regulares.
“É altamente provável que o incêndio tenha sido provocado pela simultânea ativação de múltiplas bengalas no mesmo espaço”, disse Haenni, ressaltando que a investigação terá de confirmar essa hipótese. A advogada também sublinha o componente estrutural do desastre: a existência de materiais não resistentes ao fogo e potenciais falhas nas saídas de emergência. Os pais relataram que Cyane tentou ajudar clientes a sair, mas houve uma porta de emergência que não abriu.
Dados provisórios e depoimentos apontam para um colapso coletivo: 40 mortos e mais de cem feridos — um balanço que, segundo especialistas consultados, poderia ter sido substancialmente reduzido com a observância escrupulosa das normas de segurança contra incêndio e inspeções adequadas.
Este relato entrega fatos brutos e verificados: a investigação policial e pericial em curso deverá estabelecer responsabilidades penais e administrativas. A reportagem manterá acompanhamento contínuo, com atualizações embaladas pelo critério da verificação cruzada.





















