Por Giulliano Martini — Em contato com a Espresso Italia, o professor Angelico Bonuccelli, agrônomo e ex-diretor do Serviço de Jardins da Roma Capitale, esclareceu as causas prováveis da queda de dois pini ao longo da via dei Fori Imperiali desde o início do ano. Segundo o especialista, três fatores convergiram para os episódios registrados: anzianità (idade avançada), as recentes piogge e danos às radici.
“Cairam por três causas: a anzianità, as piogge destes dias e os danos às radici“, declarou Bonuccelli. “É preciso verificar se foram realizados trabalhos entre o nível do terreno e 60 centímetros de profundidade, por exemplo a passagem de algum cabo, tubulação ou a reconstrução de marquises. Não creio que os trabalhos da metropolitana tenham relação; esses são mais profundos.”
O agrônomo lembrou que os pini dos Fori Imperiali foram plantados a partir de 1931. “A vida do pino doméstico situa-se entre 80 e 150 anos. Tudo é um pouco datado: uma planta envelhecida é esteticamente valiosa, mas também representa um risco maior. Este tipo de árvore tem a característica de não morrer em pé: quando sucumbe, cai por completo com as raízes”, explicou.
Bonuccelli acrescentou que fatores urbanos — como a presença de passeios, o tráfego e o smog — agravam a condição das árvores e reduzem sua capacidade de recuperação. “Marcos urbanos e poluição não ajudam”, concluiu o especialista.
Fatos verificados: desde o início do ano, dois exemplares de pini ruíram na via dei Fori Imperiali. As idades aproximadas, o histórico de plantio desde 1931 e a fenologia do pino domestico foram confirmados por Bonuccelli, que dirigiu o Serviço de Jardins da cidade e possui currículo técnico compatível para avaliações dendrológicas urbanas.
Do ponto de vista técnico, a hipótese de intervenções superficiais entre 0 e 60 cm como causa indireta da instabilidade é plausível: obras de reposição de calçadas, instalação de cabos e tubulações podem danificar a estrutura radicular e reduzir a ancoragem. Por outro lado, trabalhos de infraestrutura mais profundos — como escavações de túnel para a metropolitana — tendem a atuar em camadas abaixo da zona crítica das raízes principais, razão pela qual Bonuccelli relativiza sua responsabilidade direta.
Recomendações procedimentais do especialista, com base em práticas consolidadas de gestão arbórea urbana: inspeção sistemática de raízes antes de obras de pavimentação, mapeamento das árvores antigas, adoção de monitoramento fitossanitário e estudos dendrológicos para avaliar risco de queda. Essas medidas não são opiniões: são procedimentos técnicos apontados por quem atua na gestão de pomares urbanos.
Na abordagem jornalística adotada pela Espresso Italia, a versão do especialista foi cruzada com o histórico de plantio e com dados públicos sobre a arborização da área. Mantemos a apuração aberta: cabe agora às autoridades municipais e às equipes técnicas locais apresentar os relatórios de obras nos estratos rasos do solo e os laudos fitossanitários das árvores afetadas.
Em síntese: os episódios de queda na via dei Fori Imperiali resultaram, segundo perícia técnica citada, da conjugação entre anzianità, eventos climáticos recentes e danos às radici, com agravantes urbanos como passeios, tráfego e poluição.






















