Roma, 28 de janeiro de 2026 — Quatorze universidades italianas figuram entre as 200 melhores da Europa segundo o QS World University Rankings: Europa 2026. A lista, publicada hoje, revela movimentos contrastantes: instituições que avançaram posições e outras que recuaram, num quadro que traduz forças acadêmicas consolidadas e desafios estruturais do sistema universitário italiano.
Na ordenação continental, o Politecnico di Milano aparece em 45.º lugar (queda de 7 posições em relação a 2025, quando estava em 38.º). Seguem-se: Alma Mater Studiorum – Università di Bologna (59.º, ante 48.º em 2025); Università La Sapienza di Roma (77.º, de 66.º); Università di Padova (92.º, de 87.º); Università degli Studi di Milano (114.º, de 113.º); e Politecnico di Torino (118.º, de 103.º).
A Università Cattolica del Sacro Cuore foi uma das que melhoraram, subindo para a 136.ª posição (era 140.ª em 2025). Na sequência aparecem: Università di Pisa (141.º, ante 136.º); Università di Roma Tor Vergata (150.º, em forte salto a partir da 167.ª posição no ano anterior); Università degli Studi di Napoli Federico II (153.º, de 151.º); Università di Torino (155.º, de 138.º); e Università di Firenze (158.º, de 146.º).
Encerram a lista italiana no top 200: Università di Trento (174.º, avanço a partir da 186.ª posição) e Università degli Studi di Pavia (178.º, de 196.º em 2025).
Em comentário à publicação, Nunzio Quacquarelli, fundador e presidente da QS, ressaltou a intensidade da produção científica italiana e a crescente presença de programas em inglês: “A Itália é um dos motores da pesquisa em Europa, com uma intensa produção acadêmica. Ao mesmo tempo, está fortalecendo sua pegada acadêmica a nível global, oferecendo um dos maiores números de programas em inglês na Europa”.
No entanto, Quacquarelli destacou um paradoxo: embora o país seja um dos maiores exportadores de estudantes na Europa — com elevado número de mobilidades de saída — nenhuma universidade italiana figura entre as 100 melhores no indicador de proporção de docentes e estudantes internacionais. “O sistema envia talentos ao exterior com mais sucesso do que os atrai”, sintetizou.
O diagnóstico é complementado por um alerta demográfico e econômico citado na nota da QS: segundo o governador do Banco da Itália, Fabio Panetta, a Itália perdeu quase 100.000 graduados na faixa de 25 a 35 anos na última década. Esta erosão populacional, combinada à baixa taxa de natalidade, representa risco direto à produtividade e ao crescimento, reforçando a necessidade de converter o sucesso acadêmico em empregabilidade, inovação e retenção de talentos.
O QS World University Rankings é uma das referências internacionais mais citadas para avaliação universitária. A edição Europa 2026 traça um retrato útil para observadores e decisores: mostra centros de excelência italianos, mas também evidencia fragilidades institucionais que exigem políticas públicas e estratégias universitárias coordenadas para transformar mérito acadêmico em desenvolvimento econômico sustentado.
Apuração e cruzamento de fontes: análise da classificação QS Europa 2026 e declarações oficiais do presidente da QS. A realidade traduzida: o sistema universitário italiano mantém centros competitivos, porém enfrenta o desafio de equilibrar mobilidade estudantil com atração internacional e retenção de capital humano.






















