Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes revelam novo capítulo no caso da família no bosque de Palmoli (Chieti). Em depoimento às agências, o psiquiatra Tonino Cantelmi, consultor de defesa dos pais, descreveu estado de fragilidade psíquica tanto das crianças quanto dos progenitores após o afastamento da convivência familiar.
Cantelmi informou ter encontrado os pais, Nathan Trevallion e Catherine Birmingham, no escritório dos advogados de confiança do casal. Segundo o especialista, os dois estavam “rasgados pelo sofrimento”, em lágrimas e profundamente preocupados com a saúde mental dos filhos. “Eles os veem traumatizados”, disse o psiquiatra, que afirmou não compreender integralmente o que está ocorrendo, mas classificou a família como um núcleo que “precisa ser acompanhado, e não devastado”.
Sobre o quadro observado nas crianças acolhidas em comunidade, Cantelmi relatou “choro, gritos e pequenos atos autolesivos”. Ao ser questionado pelos jornalistas sobre eventual autolesão, o médico precisou que se referia a manifestações de raiva, dor, frustração e sofrimento expressos pelos menores — uma avaliação de parte, realizada no âmbito da defesa.
Na avaliação do consultor, há também críticas à atuação institucional: Cantelmi afirmou que a rigidez do sistema se revela quando um pai, que segundo ele não cometeu crimes e não é violento, vê-se impedido de passar datas como Natal e Ano-Novo com os filhos e com a companheira. “Não é essa uma rigidez?”, questionou, defendendo que contrapor rigidez com rigidez do sistema não faz sentido e que é preciso ponderar medidas menos traumáticas.
Respondendo a preocupações sobre a possibilidade de isolamento social por uma vida em meio à natureza, o psiquiatra enfatizou que viver “imerso na natureza” não é automaticamente prejudicial, lembrando que o convívio rural pode ser preferível a ambientes de criminalidade organizada. Contudo, ressaltou a necessidade de ações que promovam um “bem integral” para as crianças, com caminhos efetivos de integração social.
A próxima etapa processual é a perícia marcada para 23 de janeiro. A avaliação será conduzida pela consulente técnica nomeada pelo Tribunal dos Menores de L’Aquila, Simona Ceccoli, que iniciará uma investigação personológica e psico-diagnóstica para verificar se os pais apresentam características psíquicas que possam afetar o exercício da responsabilidade parental. Nathan Trevallion e Catherine Birmingham foram convocados a comparecer.
Os fatos divulgados pelo consultor de defesa adicionam um elemento clínico ao processo já permeado por questões jurídicas e sociais. A partir de agora, o laudo que emergir da perícia judicial terá peso decisório relevante para determinar medidas de proteção, possíveis acompanhamentos terapêuticos e diretrizes de reintegração ou restrições de convivência.
Como correspondente com experiência de longa data na Itália, acompanho o desdobrar das diligências e o confronto de perícias, sempre pautado pelo rigor técnico e pelo objetivo de traduzir a realidade em fatos brutos, sem ruído interpretativo. Seguiremos o trâmite e divulgaremos os resultados oficiais da perícia e de todas as diligências do Tribunal dos Menores.



























