Domenico Giangiordano, prefeito de Roccascalegna (província de Chieti), reafirmou nesta quinta-feira, durante os Stati generali dei piccoli comuni em Roma, o forte descontentamento de diversos gestores locais com a proposta da Lei da Montanha. O encontro ocorre até 20 de fevereiro no Centro Congressi La Nuvola e reuniu prefeitos e representantes de pequenos municípios em debate direto sobre políticas territoriais.
“Este encontro me agrada muito, principalmente pela oportunidade de confronto sobre a Lei da Montanha, que tem feito torcer o nariz a vários prefeitos, inclusive a mim. Hoje encontrei muitos subsídios e, conversando com outros chefes de municípios, vejo que concordamos: não é uma lei justa”, declarou o prefeito Giangiordano em sua intervenção.
No pronunciamento, o prefeito traçou o percurso de transformação do seu município: “Lutei por 14 anos para transformar minha cidade de um pequeno destino com 5.000 turistas por ano em um que hoje recebe 45 mil. Trabalhamos para preservar as escolas, que são a espinha dorsal dos nossos territórios. Quem investe nos pequenos centros são aqueles que querem permanecer neles.”
Giangiordano ressaltou, com tom direto e técnico, a necessidade de aprovar normas após uma fase de escuta e verificação in loco: “Essas leis deveriam ser escritas após confronto com os territórios. Esta, certamente, parece feita sobretudo para os Alpes e não para os Apeninos, onde não temos grandes cumes, mas áreas colinosas e desassistidas, onde é difícil manter as escolas e não há hospitais próximos.”
O prefeito reforçou a agenda prática da reivindicação: “Devemos redigir leis aproximando-nos dos territórios; é preciso vir ver o nível de vida, porque o despovoamento ocorre em toda parte e, especialmente, por aqui.” A afirmação sintetiza o receio dos gestores locais de que critérios uniformes para realidades geográficas distintas possam agravar a perda de serviços e população em centros menores.
Em tom pragmático, Giangiordano concluiu que encontros como o de Roma são essenciais e devem se multiplicar: “Esses encontros precisam ocorrer com mais frequência, porque é assim que surgem as ideias.” A posição do prefeito de Roccascalegna foi compartilhada por diversos participantes, segundo o levantamento de opiniões realizado no local.
Relato e análise: apuração in loco e cruzamento de fontes indicam que a crítica não é isolada. Vários prefeitos de pequenos municípios reclamam que a redação atual da Lei da Montanha não contempla especificidades dos Apeninos, como a presença de zonas colinosas dispersas, a dificuldade de manter serviços públicos essenciais e a crescente mobilidade que leva populações a centros urbanos maiores.
O episódio no Centro Congressi La Nuvola realça a urgência de ajuste das políticas públicas para áreas rurais e montanhosas, com instrumentos elaborados a partir de consultas locais, dados socioeconômicos e avaliações de impacto territorial — condição apontada por gestores como a única via para assegurar a continuidade de escolas, atração turística sustentável e retenção populacional.
Ficha técnica: Evento — Stati generali dei piccoli comuni; Local — Centro Congressi La Nuvola, Roma; Data — até 20 de fevereiro; Fonte direta — declaração de Domenico Giangiordano, prefeito de Roccascalegna, em discurso público no evento.





















