Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Dois homens foram detidos hoje pela manhã pela polícia italiana sob a suspeita de homicídio do colombiano de 31 anos Juan Carlos Ortiz Duarte, que caiu do oitavo andar de um prédio em Pioltello, nos arredores de Milão.
Os dois suspeitos, compatriotas da vítima, têm 45 e 32 anos e vivem no mesmo município. Segundo o decreto de prisão temporária assinado pelo Ministério Público de Milão (Procura de Milão), ambos estavam em situação irregular no país. As ordens de fermo emitidas pela Procura de Milão foram executadas pelos carabinieri da seção operativa da companhia e da estação de Pioltello. Os detidos serão encaminhados à prisão de San Vittore, em Milão.
De acordo com a reconstrução preliminar das autoridades, Ortiz Duarte morreu após ser lançado pela janela do oitavo andar de um apartamento localizado em um condomínio da via Cimarosa. Testemunhas relataram que, depois da queda, os dois homens desceram ao pátio para verificar se a vítima ainda respirava. Ao constatarem o óbito, teriam proferido frases de desprezo e, conforme relato do promotor Stefano Ammendola no decreto de prisão, um dos suspeitos desferiu um soco no rosto do corpo já sem vida.
Várias pessoas no local ouviram o estrondo do corpo caindo no pátio do condomínio. Essas declarações foram coletadas pela polícia durante a fase inicial da investigação e foram fundamentais para o despacho de indiciamento.
As apurações indicam que o homicídio teria ocorrido na sequência de uma violenta altercação dentro do apartamento compartilhado por um grupo de sul-americanos. Ortiz Duarte, identificado como um dos mais recentes moradores do imóvel, teria telefonado para a esposa pouco antes de ser arremessado pela janela. Segundo depoimentos obtidos, ele disse à mulher que havia brigado com alguns conterrâneos e pediu que ela comprasse uma passagem para a Espanha. A ligação acabou quando um dos agressores entrou na sala; ainda segundo os relatos, alguém avisou à esposa: “Senhora, estão prestes a matar seu marido”. Em seguida, a comunicação cessou.
O homem de 32 anos, identificado como Jorge Andres Cadavid Romero e apelidado de “mono”, foi visto por testemunhas descendo ao pátio com um ferimento na cabeça — possivelmente resultante de uma garrafada atribuída à vítima — limpando as mãos ensanguentadas com um pano e, em seguida, desferindo um soco no cadáver, num gesto que o promotor descreveu como de “rabbiosa contentezza” (raivosa satisfação).
O outro detido foi identificado como Jose David Luna Gonzales, 45 anos, apelidado de “ninja”. As investigações permanecem em andamento sob a responsabilidade dos carabinieri de Pioltello e da Procuradoria de Milão, que seguem colhendo depoimentos e analisando provas materiais no local.
Este é o estado atual das investigações: fatos brutos, verificados e resumidos para fornecer à sociedade a realidade traduzida sem ruído ou conjectura. A reportagem continuará acompanhando as diligências e eventuais desdobramentos judiciais.





















