Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Nos últimos dias, várias localidades do arco alpino registraram avalanches espontâneas de grandes proporções. O alerta foi reforçado pelos Carabinieri do Comando Unità Forestali Ambientali e Agroalimentari, que monitoram a evolução do risco diante do quadro meteorológico.
No dia 16 de fevereiro, uma massa branca envolveu a localidade de Breuil-Cervinia após o desprendimento de uma grande avalanche do monte Cervino. Outro deslizamento de grande dimensão atingiu o vallone di Falcemagna, em Bussoleno (TO), nas Alpi Cozie. Nesses dois episódios não houve danos a pessoas ou bens, mas a situação foi mais grave na Valle d’Aosta, onde nos dias 15 e 19 de fevereiro ocorreram incidentes com consequências sérias provocadas por avalanches desencadeadas pelo trânsito de esquiadores e excursionistas.
Para o fim de semana, a chegada do anticiclone das Azzorre deve estabilizar as condições meteorológicas em boa parte do território, promovendo um aumento das temperaturas diurnas a partir dos quadrantes ocidentais. Ainda assim, o perigo de avalanches se mantém em níveis elevados sobre o arco alpino, em razão das recentes e abundantes queda de neve, da ação do vento que formou lastrões, e do aquecimento previsto, que pode provocar novos desprendimentos espontâneos tanto de neve de superfície quanto de neve de fundo.
O quadro detalhado por regiões:
- Alpi Giulie e Alpi Carniche orientais: grau de perigo forte (4) acima de 1.500 m; grau marcado (3) em cotas mais baixas. O manto apresenta acumulações irregulares e lastroni de vento.
- Alpi Carniche orientali, Dolomitas e Prealpi: perigo marcado (3). Neve recente e vento aumentam a propensão a desprendimentos; pendentes íngremes com acumulações podem ceder mesmo com sobrecarga fraca.
- Alpi Retiche e Alpi Orobiche: quadro mais crítico, com grau forte (4) associado a lastroni de vento; cotas baixas registram perigidade marcada (3).
- Prealpi Lombarde: perigo moderado (2), mas com presença de camadas frágeis no manto antigo e de brina de superfície sepultada — atenção nas zonas de passagem a sotavento e em pendentes íngremes.
- Arco alpino ocidental: observadas avalanches de dimensões muito grandes durante a semana; perigo varia entre marcado (3) e forte (4).
Além dos fatores já citados, a previsão indica elevação do zero térmico até cerca de 3.000 metros no domingo nos rilievi sudo-occidentali, o que reforça a instabilidade e a probabilidade de desprendimento espontâneo de corniches e lastroni. Em consequência, as autoridades e os corpos diários de socorro recomendam medidas objetivas de prevenção: evitar atividades em alta montanha fora de comprimentos controlados e pistas batidas, não transitar por cornijas e manter distância de áreas com acúmulos recentes ou vento favorecendo chapas.
Os relatos locais e os dados de monitoramento indicam que a combinação de neve trabalhada pelo vento, novos aportes de neve e um eventual aquecimento diurno criam um cenário onde a prudência é mandatória. A recomendação dos Carabinieri é clara: restringir deslocamentos e atividades recreativas em setores de risco, consultar as previsões nivometeorológicas atualizadas e manter comunicação com as autoridades locais antes de qualquer saída em áreas montanhosas.
Raio-x do cotidiano: trata-se de um episódio climático com risco concreto e mobilização das agências de vigilância de neve. A realidade traduzida em números e decretos técnicos aponta para um fim de semana em que o perigo de avalanches permanece elevado — e as decisões individuais podem significar a diferença entre segurança e tragédia.






















