Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: uma operação conduzida pelo Comando Provincial de Pádua da Guardia di Finanza levou, nesta terça-feira, à denúncia de dez pessoas e ao sequestro de bens avaliados em aproximadamente 2,5 milhões de euros. A investigação aponta uma associação criminosa especializada em fraudes praticadas contra idosos por meio de vendas porta a porta.
Foram mobilizados mais de 70 militares para cumprir prisões, medidas cautelares e perícias em endereços ligados ao grupo. Das dez pessoas indiciadas — todas de nacionalidade italiana — cinco, com domicílio na província de Pádua, foram alvo de medidas cautelares pessoais determinadas pelo Juiz para as Investigações Preliminares do Tribunal de Pádua.
Ao chefe da associação foi imposta a custódia cautelar em prisão. Dois colaboradores próximos cumprem prisões domiciliares com uso de tornozeleira eletrônica. Outros dois suspeitos principais estão submetidos a obrigação de residência, com proibição de se ausentar do município durante a noite e comparecimento diário às autoridades judiciais.
O núcleo investigado gira em torno de uma empresa registrada no Vêneto, com sede operacional na periferia de Pádua, atuante no setor de vendas porta a porta. Documentos foram igualmente apreendidos em sociedades com sedes nas províncias de Roma, Treviso, Mântua e Lecce, apontadas como coniventes no compartilhamento de listas de potenciais vítimas.
Em paralelo ao bloqueio de contas bancárias, foi determinado o sequestro de imóveis, automóveis, cofres, disponibilidades financeiras, numerário e bens de luxo — incluindo relógios, joias e peças de vestuário. A investigação teve início a partir do controle do território: por meses, agentes observaram indivíduos ligados ao esquema frequentarem locais exclusivos da vida noturna em Pádua, circulando em veículos de alto padrão.
O modus operandi está descrito com clareza nos autos. Por meio de uma rede de agentes comerciais, os alvos eram visitados nas próprias residências — predominantemente idosos, donas de casa, pensionistas e pessoas em condição de fragilidade. Os vendedores alegavam a existência de contratos antigos que obrigariam as famílias a adquirir utensílios domésticos e equipamentos médicos, como ferros, conjuntos de panelas, colchões, toppers, travesseiros, lençóis, poltronas reclináveis e dispositivos de magnetoterapia.
Produtos apresentados como de “alta qualidade” revelaram-se, após perícia, de baixo valor. As aquisições, frequentemente entre 5.000 e 7.000 euros, eram formalizadas via financiamentos, onerando severamente beneficiários de pensões mínimas. Um caso paradigmático mostra um idoso da província obrigado, ao longo de três anos, a custear compras que somaram 22 mil euros, acrescidos de 3 mil euros em juros. Diante da recusa, os investigados ameaçavam ações judiciais e prometiam novas cobranças — configurando o crime de extorsão, segundo os promotores.
Ao todo, são mais de 1.200 as pessoas identificadas como vítimas das práticas ilícitas. A investigação prossegue com análise documental, rastreamento de ativos e inquirições, com o objetivo de mapear integralmente a rede e recuperar valores subtraídos.
Relato técnico e factual: os elementos presentes na investigação indicam um esquema permanente e organizado, com ramificações interprovinciais e uso de empresas de fachada para legitimar transações. O trabalho da Guardia di Finanza segue em curso, com resultados operacionais já materializados nas medidas cautelares e nos sequestros executados.






















