Em pronunciamento na Câmara, o ministro da Justiça, Carlo Nordio, classificou os suicídios em prisão como um “fardo de dor” e afirmou que representam um fracasso do Estado quando ocorrem. Segundo o ministro, o número de suicídios em cárcere registrou uma queda de 10% neste ano: “Se não é o início do fim, digamos que é o fim do começo”, declarou durante as comunicações ao plenário.
Nordio apresentou dados e argumentos na sessão, reiterando que a redução é um sinal positivo, mas sem minimizar a gravidade do fenômeno. A declaração do ministro esteve acompanhada de menções às responsabilidades institucionais e à necessidade de políticas integradas de prevenção e assistência dentro do sistema prisional.
Foram apresentadas sete resoluções sobre a Justiça na ocasião: um documento assinado pela maioria e seis propostas das bancadas de oposição — PD, M5S, Avs, Più Europa, Azione e IV. A diversidade das iniciativas reflete o contorno político do debate em torno das propostas do governo.
Dirigindo-se aos parlamentares, o ministro classificou como uma “litania petulante” as acusações de que a reforma da Justiça teria por objetivo subordinar o magistrado ao poder político. Nordio destacou a importância de consultar a Constituição ao tratar da matéria e citou artigos que regulam a independência da magistratura e o papel do Ministério Público.
Em defesa do pacote de mudanças, o guardasigilli afirmou que a reforma busca implementar uma “revolução processual” cujos fundamentos remontam a iniciativas de quatro décadas atrás e que não é dirigida contra a magistratura, a oposição ou qualquer outra força política. “Não é contra a magistratura, nem contra a oposição, nem contra ninguém”, afirmou.
Nordio também relatou um episódio envolvendo o deputado da oposição Bettini: segundo o ministro, Bettini teria reconhecido que seria favorável às propostas tecnicamente, mas antecipou que votará contra por se tratar de um “voto político” que seria, na prática, a favor ou contra a maioria liderada por Meloni.
O tom da intervenção combinou diagnóstico estatístico e defesa política. Como repórter com apuração rigorosa e cruzamento de fontes, registro que os números citados pelo ministro ainda demandam confirmação por relatórios oficiais do sistema penitenciário, que lançarão luz sobre metodologias e períodos comparados.
Resumo dos fatos brutos: queda de 10% nos suicídios em prisões, sete resoluções na Câmara (1 da maioria, 6 da oposição), acusação de tentativa de politização do Ministério Público refutada por Nordio e menção a posicionamento de um membro da oposição que condiciona o voto à política partidarizada.
Essa é a realidade traduzida do plenário: dados em evolução, debates institucionais e um cenário político em que a reforma da Justiça permanece no centro das atrições entre governo e oposição.






















