Nello Musumeci, ministro da Proteção Civil, afirmou no plenário do Senado que, após a frana em Niscemi, surgiram comportamentos que qualificou como “sciacalli“, inclusive “em jaqueta e gravata”. A declaração ocorreu durante a informativa sobre os danos causados pelo mau tempo na Sicília, Sardenha e Calábria, e compõe o núcleo central da resposta oficial do governo às críticas mediáticas e políticas sobre a gestão da emergência.
Musumeci denunciou “atos de verdadeiro e próprio saque, dentro e fora das instituições, também sob uma aparência formal” e afirmou não querer ignorar “a campanha mediática” que apontou supostas ineficiências do governo e do próprio ministério. Segundo o ministro, porém, essa campanha “foi além da dialética política normal”, reproduzindo “julgamentos sumários e reconstruções apressadas” que, em sua avaliação, buscaram um bode expiatório para a catástrofe de Niscemi em vez de contribuir para “uma compreensão séria dos factos”.
“Antes de atribuir notas sobre a credibilidade dos outros, seria prudente avaliar a própria credibilidade”, advertiu o ministro. Em seguida, detalhou que ainda não existe “uma solução definida” para as famílias que permaneceram forçadas a abandonar definitivamente suas casas na cidade afetada pela frana.
Musumeci sublinhou que cabe às autoridades municipais apresentar uma proposta resolutiva: “os sindaci são a primeira autoridade de proteção civil e responsáveis pelo planeamento e pela vigilância urbanística do seu território”. A proposta municipal, acrescentou, deverá ser confrontada com a comunidade científica para avaliar os aspetos relativos à segurança estrutural.
Para subsidiar esse trabalho, o ministro anunciou a criação, no âmbito do Dipartimento Casa Italia — órgão responsável por reconstrução e prevenção estrutural — de uma comissão de estudo destinada a investigar as possíveis evoluções do fenómeno e fornecer subsídios técnicos para decisões futuras.
Quanto aos recursos, Musumeci foi categórico: para o governo liderado por Giorgia Meloni, a questão em Niscemi “não é ligada à disponibilidade financeira”. “Os recursos existem e estou disponível para viabilizar um projeto partilhado com as administrações locais”, garantiu, informando que a região siciliana já expressou ampla disponibilidade nesse sentido.
Na mesma sessão, o chefe do Departamento de Proteção Civil, Fabio Ciciliano, forneceu dados técnicos preliminares sobre a dimensão do evento: afirmou que a frana afetou uma área de aproximadamente 4 km², com uma linha de coroamento de cerca de 1,7 km. Ciciliano também mencionou “uma profundidade no corpo da frana de aproximadamente 4 quilômetros” e que o movimento ainda persiste, embora com velocidade reduzida.
Como repórter que cruza fontes e verifica dados no terreno, registro que a menção a “4 quilômetros” de profundidade merece verificação técnica adicional junto aos centros de competência, pela óbvia inconsciência geológica que tal medida implicaria. O Departamento informou que se trata, até ao momento, de uma avaliação preliminar e que serão realizados estudos puntuais de caráter técnico.
Em termos práticos, Ciciliano esclareceu que foi definida, de modo precaucional, uma faixa de respeito que avança desde a borda do precipício para dentro da cidade por cerca de 150 metros. Os centros de competência do Departamento estão a proceder a avaliações pormenorizadas para determinar medidas de mitigação e estratégias de reassentamento.
Relato puro, baseado na informativa no Senado e em declarações oficiais: o equilíbrio entre responsabilidades locais e apoio estatal, a abertura do governo a financiar intervenções e a constituição de uma comissão técnica são os elementos centrais da resposta institucional. Permanecem, porém, questões factuais e operacionais pendentes — sobretudo a solução habitacional para as famílias desalojadas e a confirmação técnica das dimensões e dinâmicas do movimento de massa em Niscemi.






















