As cerimônias fúnebres de Domenico, o menino de 2 anos e 3 meses que morreu após um transplante cardíaco, começaram hoje às 15h no Duomo de Nola. A liberação do corpo ocorreu apenas na noite anterior, depois da conclusão da autópsia realizada no hospital onde o menino estava internado.
O cortejo chegou acompanhado de aplausos e choros; centenas de moradores compareceram para prestar a última homenagem. O prefeito de Nola, Andrea Ruggieri, esteve presente na capela ardente desde as 11h. Sobre a urna branca, a foto de Domenico e um ursinho infantil marcaram a dor visível da cidade, que decretou luto municipal. A mãe, Patrizia, ao ver a criança, desabou em lágrimas. A primeira-ministra Giorgia Meloni estava prevista entre as autoridades presentes.
O caso tem origem no transplante realizado em 23 de dezembro, quando foi implantado no menino um órgão considerado já danificado. Após a operação, Domenico permaneceu por cerca de sessenta dias em coma farmacológico e veio a falecer em 21 de fevereiro. Em 14 de fevereiro, a equipe médica havia descartado a possibilidade de um segundo transplante.
Desde 11 de fevereiro a Procura de Nápoles conduz investigação sobre o episódio. Seis pessoas estão indagadas por lesioni colpose (lesões culposas). Como consequência inicial, dois médicos da equipe responsável pelo procedimento e a diretora do serviço de cardiocirurgia e transplantes foram suspensos.
O inquérito apura, entre outros pontos, o transporte do coração doador, proveniente de um paciente de Bolzano. Segundo as fontes judiciais e técnicas, o órgão teria sido transportado em um recipiente plástico comum, com aplicação de ghiaccio secco (gelo seco), em vez do método padrão de refrigeração com gelo comum. O gelo seco atinge temperaturas na ordem de -80 °C, enquanto o gelo convencional mantém temperaturas próximas a -4 °C; essa diferença térmica figura entre as hipóteses de dano térmico ao tecido cardíaco.
A família de Domenico exige esclarecimentos e justiça. “Não devemos esquecer Domenico”, disse a mãe Patrizia horas antes do falecimento do menino. O advogado da família, Francesco Petruzzi, informou que foi concedido prazo de 120 dias para os peritos elaborarem laudo técnico, e que o processo foi remarcado para 11 de setembro de 2026.
Trata-se de um caso que combina achados clínicos, logística de transplante e responsabilidade institucional. A apuração em curso envolve perícia técnica e jurídica; o cruzamento de fontes médicas e judiciais será determinante para identificar as causas precisas do agravamento e as eventuais responsabilidades. A cidade de Nola chora uma família e aguarda respostas factuais, num episódio que já colocou em evidência procedimentos de transporte de órgãos e a necessidade de protocolos rígidos e auditáveis.
Esta reportagem segue em apuração in loco e com cruzamento de fontes hospitalares, judiciais e familiares. Fatos brutos, compromissos processuais e a realidade traduzida para quem busca transparência: é essa a prioridade no caso de Domenico.






















