Anna Falcone, irmã mais velha do magistrado Giovanni Falcone — morto na atentado de Capaci — faleceu aos 95 anos. Figura discreta e reservada, Anna Falcone foi a primeira de três irmãos e teve papel relevante na preservação da memória pública e institucional do trabalho de seu irmão.
Com a irmã Maria, Anna Falcone colaborou para a fundação da entidade que hoje leva o nome do magistrado. A instituição, criada para promover a cultura da legalidade e a memória das lutas contra a máfia, recebeu de ambas a guarda e a sustentação moral necessárias para se consolidar como referência no campo da justiça e da educação cívica.
De caráter reservado, Anna Falcone optou por um ativismo discreto. Foram poucos os seus pronunciamentos públicos, mas consistentes no objetivo de manter viva a herança de Giovanni Falcone e de traduzir em ações concretas o compromisso com a antimáfia. Recentemente, aceitou um encontro com o ex-jogador de futebol Fabrizio Miccoli, que lhe pediu desculpas após ter insultado a memória de seu irmão em uma conversa interceptada pelas autoridades — um gesto que a família considerou relevante para a restauração do respeito à figura do magistrado.
As reações institucionais foram imediatas. No X, o presidente do Senado, Ignazio La Russa, escreveu: “Ho appreso con sincero dolore della scomparsa di Anna Falcone, sorella del giudice Giovanni Falcone. Alla sua famiglia e ai suoi cari giungano le più sentite condoglianze mie personali e del Senato della Repubblica” — tradução livre: recebi com sincero pesar a notícia do falecimento de Anna Falcone; envio as mais sentidas condolências à família em nome pessoal e do Senado da República.
Também pelo X, o presidente da Câmara dos Deputados, Lorenzo Fontana, afirmou: “Un pensiero di profondo cordoglio per la scomparsa di Anna Falcone. Il suo impegno ha contribuito a rafforzare la cultura della legalità e a mantenere viva l’eredità morale di Giovanni Falcone” — destacando o papel de Anna Falcone no fortalecimento da cultura da legalidade.
A organização Libera emitiu nota na qual se solidariza com a família e ressalta que Anna Falcone, com “discrezione e fermezza”, soube custodiar e honrar a memória do irmão, transformando-a em um compromisso de esperança e ação. Segundo a nota, sua “testemunha silenciosa” permanece como exemplo para a sociedade civil e para as instituições empenhadas no enfrentamento das organizações criminosas.
Apuração e contexto: a perda de Anna Falcone ocorre em um momento em que as instituições e a sociedade italiana seguem revisitando a memória dos anos de luta contra a máfia. Seu papel, ainda que discreto, foi o de permitir que a trajetória de Giovanni Falcone fosse traduzida em políticas públicas, educação e memória institucional — em especial por meio da Fundação Falcone, da qual foi uma das fundadoras e guardiãs.
Continuaremos o acompanhamento com o cruzamento de fontes oficiais e atualizaremos esta matéria conforme novas informações sobre velório, homenagens e comunicados familiares forem divulgadas.































