Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes em Roma. O Ministério do Interior anunciou que trabalha na implementação de metal detectors nas escolas, com uma diretiva a ser expedida ao mais alto nível nas próximas horas. A iniciativa foi antecipada pelo ministro Matteo Piantedosi na transmissão ‘Cinque minuti’, transmitida após o Tg1.
Segundo o ministro, a medida preverá que, ‘a pedido dos diretores escolares‘ e ’em pleno respeito da autonomia escolar’, em acordo com os prefetti (autoridades civis responsáveis pela segurança pública), seja possível efetuar controles nas entradas das instituições. Os mecanismos poderão ser ativados ‘também em surpresa’, quando solicitado pela direção, com o objetivo declarado de conter o fenômeno crescente do uso de facas entre alunos.
Piantedosi acrescentou que, em situações de investigação judicial ou quando houver procedimentos em curso, os controles poderão seguir modalidades diferentes, compatíveis com os trâmites das autoridades judiciais.
O anúncio segue posicionamento anterior do ministro da Educação, Giuseppe Valditara, que já havia defendido a instalação de detectores em escolas de maior risco. Valditara afirmou que não se trata de ‘repressão’, mas de garantir a segurança de trabalhadores e estudantes, e apelou às forças políticas para convergirem no tema.
O governo acelerou a proposta nas semanas seguintes ao ataque fatal ocorrido em La Spezia, quando um estudante foi morto por um colega dentro da escola que ambos frequentavam. O episódio, segundo fontes oficiais, motivou revisão imediata das políticas de segurança escolar.
A reação das associações de diretores foi cautelosa. Antonello Giannelli, presidente da ANP (Associazione nazionale dirigenti pubblici e alte professionalità della scuola), destacou que se trata de uma novidade operacional que exige avaliação caso a caso e interlocução com a autoridade de segurança local. Giannelli ressaltou ainda o impacto econômico: a instalação e manutenção dos metal detectors representam despesas relevantes, e a utilização massiva não foi prevista na proposta inicial.
Outra questão técnica levantada pelos dirigentes é a condução de eventuais revistas em bolsas e mochilas. A apreensão de objetos metálicos não pode ser realizada por pessoal escolar: deverá ser prevista a intervenção de operadores das forças de ordem para garantir legalidade e segurança dos procedimentos.
Apesar das reservas, os presidentes de associações escolares admitiram que ‘tudo o que possa salvar vidas é bem-vindo’, reforçando, contudo, a importância da responsabilidade familiar. A mensagem é clara: medidas de segurança complementam, mas não substituem, regras básicas de convivência e vigilância dos responsáveis pelos menores.
O governo, portanto, prepara uma diretiva que dará margem de ação local aos diretores, em coordenação com as autoridades, para a instalação de metal detectors onde houver maior risco. A proposta segue em tramitação e deve ser comunicada oficialmente aos dirigentes e às autoridades de segurança nos próximos dias.
Apuração: cruzamento de declarações oficiais, posicionamentos sindicais e contexto do incidente em La Spezia. A realidade traduzida em fatos brutos.






















