Por Giulliano Martini
Dois dias de operações iniciais com detectores de metal portáteis e unidades cinotécnicas foram realizados em frente ao Instituto Einaudi-Chiodo, na cidade de La Spezia, onde, há aproximadamente duas semanas, o estudante Abanoub ‘Aba’ Youssef, 18 anos, foi mortalmente esfaqueado por um colega de turma.
Antes do toque de entrada das aulas, agentes dos Carabinieri e da polizia percorreram os acessos à escola com os aparelhos móveis e com cães farejadores, inspecionando mochilas e verificando a presença de objetos cortantes. A adoção das fiscalizações foi decidida pelo Comitê para a ordem e a segurança pública, presidido pelo prefetto da Spezia, com o objetivo explícito de evitar a entrada de facas e outras armas brancas no ambiente escolar.
A deliberação de intensificar as medidas de segurança partiu da reunião do Comitato provinciale per l’ordine e la sicurezza pubblica, realizada na prefeitura de La Spezia. Naquele encontro, houve anuência para que as escolas possam, mediante solicitação dos diretores e em diálogo sistemático com as prefetture e questure, utilizar os metal detector portáteis como ferramenta preventiva.
Os aparelhos passaram a ser usados para a verificação dos pertences dos estudantes duas semanas após a morte de Abanoub Youssef. A iniciativa acompanha uma orientação conjunta dos ministérios da Educação e do Interior: os ministros Giuseppe Valditara e Matteo Piantedosi assinaram uma circular dirigida às estruturas territoriais dos dois ministérios, com foco no combate ao uso de facas entre jovens e prevendo expressamente o recurso a detectores nas escolas.
Abanoub, italiano de origem egípcia, foi ferido com uma arma branca dentro da sala de aula do Einaudi-Chiodo na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026. O aluno, levado em estado grave ao pronto-socorro do hospital Sant’Andrea, passou por cirurgia, mas a Asl 5 da Spezia confirmou o óbito às 20h do mesmo dia.
O agressor, identificado como Zouhair Atif, 19 anos, de origem marroquina, teria entrado em sala após as 11h portando a faca com a qual desferiu as perfurações. Um professor presente na aula conseguiu arrancar o instrumento e, com o apoio de colegas, contê-lo até a chegada das forças de segurança, que então efetuaram a prisão em flagrante por homicídio.
No interrogatório, Atif admitiu a autoria do crime e apontou, segundo fontes judiciais, um motivo reconhecido como de natureza sentimental: a troca de fotografias envolvendo a jovem com quem ele se relacionava e o estudante morto. As investigações policiais e os depoimentos colhidos dentro da escola destinam-se a reconstruir com precisão a dinâmica e o contexto em que nasceu o gesto violento.
Equipes de perícia, autoridades judiciais e escolares têm cruzado testemunhos para mapear eventuais antecedentes ou alertas ignorados. O episódio reaviva o debate sobre segurança nas instituições de ensino, a eficácia de medidas de controle na prevenção de armas brancas e a necessidade de protocolos de intervenção diante de sinais de conflito entre alunos.
As verificações com metal detector e unidades cinofile continuarão a ser realizadas enquanto durar a interlocução entre direções escolares, prefeitura e forças de ordem, segundo relatos oficiais. A prioridade declarada é reduzir o risco de novos episódios e restabelecer um quadro de segurança percebida por alunos, famílias e professores.
Este relato baseia-se em apuração in loco e em cruzamento de fontes institucionais e judiciais. Eventuais desdobramentos serão acompanhados e atualizados com rigor.






















