Maria Franca Fissolo, figura discreta e central na trajetória da empresa Ferrero, morreu na manhã desta quinta-feira, 12 de fevereiro, às 5h30, em sua residência em Altavilla, nas colinas de Alba, no coração das Langhe. Tinha 87 anos.
Como presidente honorária da holding e guia da Fondazione Ferrero, Maria Franca Fissolo acompanhou de perto a transformação da indústria fundada pelos Ferrero em um grupo global, mantendo um perfil reservado e focado na preservação dos valores familiares e comunitários que marcaram a expansão do grupo.
Nasceu em Savigliano (província de Cuneo) em 21 de janeiro de 1939 e foi criada em Levaldigi. Depois do ginásio e do ensino médio, cursou escola para intérpretes. Em 1961 entrou na Ferrero como tradutora e intérprete. Foi nesse ambiente que conheceu Michele Ferrero, com quem se casou em 1962. A união rendeu dois filhos: Pietro, nascido em 1963, e Giovanni, nascido em 1964.
A trajetória da família esteve marcada por sucessos e tragédias. Pietro morreu em 2011, vítima de um malore enquanto estava na África do Sul. Giovanni assumiu a liderança do grupo e segue à frente do grupo que hoje mantém 36 unidades produtivas em todo o mundo, levando marcas reconhecidas globalmente — entre elas a icônica Nutella — a mais de 170 países.
Mesmo distante dos holofotes, Maria Franca Fissolo teve papel ativo na consolidação da identidade corporativa da Ferrero e no fortalecimento do vínculo com o território das Langhe. Desde 1983, a Fondazione Ferrero tem sido um pilar dessa relação, atuando em projetos culturais e sociais; ela exerceu a presidência da fundação e interpretou uma ideia de empresa ligada à responsabilidade social e ao desenvolvimento comunitário.
Entre ações locais, financiou o restauro e a recuperação funcional do asilo infantil de Levaldigi, concluído e inaugurado em dezembro de 2016. A iniciativa reflete um padrão de intervenção que privilegiava a manutenção das raízes locais, ao mesmo tempo em que apoiava a projeção internacional do negócio familiar.
Ao longo da vida, Maria Franca Fissolo evitou a mondanidade, ainda que figure há anos entre as pessoas de maior patrimônio na Itália. Em 2024, foi nomeada Cavaliere di Gran Croce dell’Ordine al merito della Repubblica italiana, indicação proposta pela Presidência do Conselho dos Ministros.
A morte de Maria Franca Fissolo representa a perda de uma presença discreta mas determinante para Alba e para o mundo empresarial: uma mulher que acompanhou e sustentou a extraordinária fase de crescimento dirigida por Michele Ferrero e que ajudou a preservar o balanço entre expansão comercial e responsabilidades sociais da empresa.
Este é o relato factual da vida de uma personagem que entrou nos bastidores de um dos capítulos mais relevantes da indústria alimentícia italiana. Apuração in loco, cruzamento de fontes e confirmação institucional sustentam este registro. Mais informações e comunicados oficiais serão atualizados assim que divulgados pela família e pela holding.
Giulliano Martini, correspondente Espresso Italia — reportagem direta, limpeza de narrativas e precisão técnica.





















