Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: as investigações conduzidas pelos Carabinieri de Verona, com o apoio do NAS de Pádua, documentaram episódios reiterados de maltratos em uma creche privada no centro da cidade. As imagens coletadas — centenas de videorregistros analisados pela polícia judiciária — motivaram a medida cautelar que resultou no afastamento do trabalho de cinco professoras por um período de um ano e no sequestro do imóvel.
Os filmes mostram crianças de idades entre 9 meses e 3 anos sendo deslocadas à força dentro da sala, arrastadas pelo chão, puxadas pelos cabelos e sujeitas a tapas, beliscões e palmadas. Há registros de menores sendo imobilizados às cadeirinhas durante o horário da refeição e também colocados em posições humilhantes como forma de punição. Em outras cenas, crianças são deixadas sozinhas em um canto da sala e, em ao menos um caso, uma menina foi feita dormir em um armário escuro.
Segundo o despacho do juiz de garantias, os investigadores observaram ainda arremessos de cadeiras contra a parede após uma repreensão, seguidos da imposição forçada do chupeta e de um bichinho de pelúcia à criança. Os vídeos também registraram o virar violento de bebês em berços e condutas que a equipe forense aponta como violação de normas de higiene no tratamento das crianças.
A investigação foi aberta em dezembro e, desde então, a polícia judiciária local vem colhendo elementos com o objetivo de interromper imediatamente os supostos atos de violência e permitir perícias e controles sanitários na unidade. O procedimento do NAS teve caráter complementar, voltado para verificar condições de higiene e segurança do estabelecimento.
O Procurador da República, Raffaele Tito, em nota oficial, afirmou que a magistratura e os Carabinieri “permanece(m) à disposição de todos os pais — neste momento justificadamente preocupados — que queiram colaborar na busca pela verdade”. A declaração reforça a abertura de canais para que familiares contribuam com depoimentos e eventuais imagens adicionadas.
Como repórter baseado na Itália com décadas de apuração, destaco que a medida de sequestro da estrutura tem por finalidade proteger as crianças e preservar elementos de prova. A suspensão do exercício profissional das cinco educadoras é uma cautela processual que não antecipa veredito: trata-se de impedir, em caráter temporário, o eventual prosseguimento de condutas lesivas enquanto as apurações seguem em curso.
Os pais das crianças envolvidas foram notificados e orientados sobre os canais de contato com a autoridade investigativa. As próximas etapas incluem perícias técnicas sobre os vídeos, oitivas de testemunhas e exames clínicos das crianças, conforme o roteiro investigativo adotado pela delegacia de Verona.
Fatos brutos, verificados em imagens e relatórios, compõem o material que está sendo submetido ao crivo judicial. Continuarei o acompanhamento e o cruzamento de fontes até que as autoridades divulguem as conclusões formais do inquérito.






















