Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O maltempo associado ao ciclone denominado Harry mantém em estado de emergência a Sardenha, a Sicília e a Calábria. A Proteção Civil prorrogou a allerta rossa (alerta vermelho) nas três regiões para todo o dia, diante da previsão de ventos extremos, chuvas intensas e mareggiate nas costeiras mais expostas.
O sistema meteorológico é um forte vórtice de baixa pressão posicionado entre o Canal da Sardenha e as costas da Tunísia, que já atingiu em cheio as ilhas maiores e o sul da Península. Observadores e técnicos da Proteção Civil estimam rajadas de ventos superiores a 110–120 km/h e acumulados pluviométricos que podem ultrapassar 300 mm em menos de 48 horas — volume superior ao registrado em três meses na média climática local.
As previsões indicam ondas no mar aberto do Jônico e do baixo Tirreno de até 8–9 metros, com mar grosso entre 6 e 7 metros ao longo das costas orientais da Sardenha e na faixa jônica da Sicília e da Calábria. Em face desse quadro, prefeitos dos capoluoghi — de Cagliari a Olbia, de Palermo a Catania, de Catanzaro a Reggio Calabria — determinaram, por precaução, o fechamento de escolas, universidades, repartições públicas, parques, cemitérios e instalações esportivas. Diversos compromissos institucionais foram suspensos.
Houve também impacto nos enlaces marítimos: na Sardenha foram suspensas partidas de navios para a Península a partir de Cagliari e Olbia, assim como as travessias para a Córsega; o acesso à ilha de Caprera permanece fechado. Na Sicília, estão suspensos os ferries para as Eólias. Na Calábria, uma fratura de encosta deixou isoladas sete famílias em área de Catanzaro, e o prefeito ordenou o fechamento do lungomare local.
As imagens das cidades sob allerta rossa remetem a centros vazios, fenômeno semelhante ao observado durante o período de lockdown. Todos os Centros Operativos Comunali (COC) foram ativados. A Proteção Civil das três regiões mantém monitoramento contínuo, em contato direto com as administrações locais.
Da Sala de Decisão da Proteção Civil, a assessora regional ao Ambiente, Rosanna Laconi, qualificou o episódio como “um fenômeno não observado recentemente, sobretudo sulla costa sud-orientale”. Laconi advertiu: “Será un crescendo fino a domani e non escludiamo un colpo di coda anche mercoledì” — sinalizando que a pior fase é hoje, com possibilidade de manutenção de efeitos residuais amanhã.
Nos territórios, vias importantes foram interditadas. Na Sardenha destacam-se a statale 195 Sulcitana (entre Cagliari e Capoterra), a provinciale 71 a Teulada e a statale 198 em Gairo (Ogliastra). Em Torpè, província de Nuoro, dezenas de famílias foram evacuadas por risco de esondação do rio Posada, cuja cota aumentou rapidamente com as chuvas. Entre os cursos d’água postos sob vigilância especial estão o Flumendosa, o Rio Stanali, o Rio Cixerri e o Gutturu Mannu; a atenção também recai sobre barragens e reservatórios.
O quadro é dinâmico. As equipes de socorro e as autoridades locais mantêm patrulhamento e ações preventivas, priorizando zonas costeiras, leitos fluviais e acessos estratégicos. A recomendação à população é a máxima prudência: evitar deslocamentos desnecessários, obedecer às ordens de evacuação e acompanhar os comunicados oficiais da Proteção Civil e dos municípios.
Este texto será atualizado à medida que cheguem novos boletins meteorológicos e relatórios das unidades operativas no terreno. Fatos brutos validados e cruzados permanecem a essência desta cobertura: transmissão imediata da realidade, sem ruído nem especulação.






















