Por Giulliano Martini — Em apuração in loco e cruzamento de fontes, a família do pequeno Domenico exige respostas e quer a responsabilização dos responsáveis pelo transplante que resultou na morte da criança. Em entrevista ao jornal Repubblica, Patrizia, mãe do menino, disse: “Quem errou terá de pedir perdão a Domenico. É o momento da verdade. Agora, de fato, basta”.
Patrizia pediu que não sejam feitas acusações precipitadas: “Não atribuirei culpas até conhecer a verdade. Mas alguém terá de pagar”, afirmou. Antes do procedimento, o menino, de dois anos, era descrito pela família como “um criança cheia de vida, com uma enorme vontade de viver”. O luto virará compromisso: a família planeja constituir uma fundação para honrar a memória do garoto e ajudar outras crianças.
A mãe também lançou um alerta contra golpes e fraudes que surgiram online, com perfis falsos pedindo doações em nome do pequeno. “Não estou acusando ninguém. Quero apenas a verdade. Quando ela emergir, saberemos quem errou. O que me interessa é que seja feita justiça”, disse Patrizia.
No plano investigativo, os inquéritos buscam reconstruir uma possível cadeia de erros em torno do transplante realizado no ospedale Monaldi, em Nápoles. Os factos brutos apontam para uma sequência de eventos iniciada em 23 de dezembro, quando um coração doado por uma criança de quatro anos, de Bolzano, foi implantado em Domenico. Segundo apuração, o órgão teria sido danificado durante o transporte.
Os investigadores estão a analisar mensagens, chamadas telefônicas, notas de voz e possivelmente imagens para esclarecer os passos entre a fase de explante, o transporte e o implante. Fundamental será o exame da atividade registrada nos aparelhos móveis de seis pessoas diretamente envolvidas no caso. Os carabinieri notificaram um aviso de garantia por lesões culposas gravíssimas e apreenderam os smartphones dos investigados.
A notificação chegou enquanto a criança ainda estava em coma profundo e conectada a aparelhos — situação que coincidiu com o falecimento do menino no próprio Monaldi. Formalmente, a investigação pode evoluir para a tipificação de homicídio culposo; um novo ato será emitido pela procura da República de Nápoles e será realizada autópsia para esclarecer aspectos adicionais do quadro clínico.
De acordo com elementos já apurados, o coração recebido por Domenico teria chegado em um recipiente inadequado, refrigerado com gelo seco — método que pode provocar temperaturas capazes de comprometer a funcionalidade do órgão. As condições do coração teriam piorado progressivamente, tornando impossível executar um novo transplante a tempo.
Os investigadores querem entender as comunicações entre médicos e operadores que atuaram no explante, transporte e implante — direta ou indiretamente — para mapear responsabilidades. Em nota, os advogados de um dos profissionais envolvidos afirmaram: “Aguardamos com confiança a reconstrução dos fatos pelos investigadores e os exames técnicos, mas estamos convencidos de que nosso assistido cumpriu tudo o que era profissionalmente devido e humanamente possível para salvar a vida do pequeno Domenico, lutando contra o tempo”.
Este é um processo em andamento: a prioridade da apuração é reunir provas técnicas e testemunhais que clarifiquem a sequência cronológica dos eventos e determinem, com rigor, as falhas operacionais que possam ter levado ao desfecho fatal. A família, por sua vez, mantém o foco na busca pela justiça e na proteção de outras famílias contra golpes que se aproveitam da tragédia.






















