O juiz de instrução do tribunal de La Spezia confirmou a custódia cautelar em prisão preventiva de Zouhair Atif, o jovem de 19 anos acusado de desferir uma facada fatal em Abanoub Youssef dentro do instituto profissional “Domenico Chiodo”, na última sexta-feira. A decisão foi comunicada pelo advogado de defesa, Cesare Baldini, ao sair por volta das 13h do presídio onde ocorreu a audiência preliminar.
Segundo a defesa, Zouhair Atif declarou ter se sentido ameaçado pela vítima e nega categoricamente que tenha feito outras ameaças com faca no passado. Baldini traçou um perfil do acusado, descrevendo-o como alguém com histórico de sofrimento: deixado sozinho no Marrocos até os 15 anos, retornou à Itália antes da pandemia e voltou ao país após o período da COVID-19.
“É uma pessoa que se sente isolada, com poucas amizades, com histórico de autolesão”, disse o advogado aos repórteres. Baldini acrescentou que há indícios que justificam a realização de uma perícia psiquiátrica e que discutirá o tema com o Ministério Público. “Por absurdo, considero que a medida cautelar em prisão é hoje a solução que melhor pode proteger Zouhair de si mesmo”, afirmou.
Do lado da família da vítima, o clima é de comoção e de pedido por punição exemplar. Kiru Attia, primo de Abanoub Youssef, qualificou o crime como planejado: “Foi um homicídio programado, o autor é uma pessoa madura que consegue raciocinar”. Em entrevista ao programa Ore 14, da Rai 2, Attia disse acreditar que a pena adequada seria a prisão perpétua e defendeu a repatriação do autor caso saísse em liberdade.
Attia descreveu Aba (como o primo era chamado) como alguém dedicado aos outros: ajudava em casa, trabalhava esporadicamente como garçom nas poucas horas livres e era incomodado por não contribuir mais formalmente na renda familiar. “Quando soube do ocorrido, pensei primeiro que um gesto desse era previsível”, afirmou, referindo-se a um contexto escolar no qual, segundo ele, já existiam problemas de convivência e presença de perfis conflituosos entre os alunos. “Para quem sai com faca, servem penas exemplares”, concluiu.
Na audiência, o magistrado qualificou o crime como homicídio agravado por motivo fútil. A figura da premeditação ainda não foi formalmente aplicada; contudo, a presença da arma branca traz a possibilidade de essa agravante ser imputada em momento posterior da investigação, segundo apuração junto a fontes judiciais.
Permanece pendente a definição da data da autópsia de Abanoub Youssef. Somente após a realização do exame de necropsia o corpo poderá ser entregue à família para a realização das exéquias.
Na manhã seguinte ao crime, centenas de estudantes do ensino médio de La Spezia realizaram um cortejo pela cidade e se concentraram em frente ao Palácio de Justiça, entoando o nome de Abanoub em protesto. As investigações prosseguem na Procuradoria local, com coleta de depoimentos e análise das circunstâncias que levaram ao episódio.
Apuração: relato baseado em audiência preliminar no presídio de La Spezia, declarações do advogado de defesa e de familiares da vítima, além de acompanhamento das manifestações estudantis e informações de fontes judiciais locais. O caso segue sob investigação e poderá ter novas qualificações criminais conforme os desdobramentos periciais e instrutórios.






















