Genova — Em entrevista à Adnkronos Salute, o infectologista Matteo Bassetti, diretor de Doenças Infecciosas do Hospital Policlinico San Martino, classificou como inaceitáveis as recentes declarações do secretário norte-americano da Saúde, Robert Kennedy Jr, sobre o uso passado de cocaína “cheirada na borda do vaso sanitário”.
“É o ponto mais baixo da saúde americana. Nunca vi nada parecido. Dizer que não tem medo de germes porque no passado cheirava cocaína na borda do vaso sanitário faz inorridire“, afirmou Bassetti. Para o especialista, declarações dessa natureza colocam em xeque a adequação de Kennedy Jr ao cargo: “Depois dessas afirmações, seria necessário um passo atrás do secretário Robert Kennedy Jr; não é adequado para o papel”.
Bassetti contextualizou o episódio como mais um entre uma série de deslizes públicos que, segundo ele, comprometem a credibilidade do gestor. “É apenas o último dos desastres que ele produziu”, disse, lembrando declarações prévias de Kennedy Jr sobre temas científicos e de saúde: a sugestão de que a esquizofrenia poderia ser tratada com a dieta cetogênica, a relação controvertida entre paracetamol e autismo, além de suas convicções no-vax.
“É uma árvore de más figuras, pior que Trump”, resumiu o infectologista, em linguagem direta e sem filtros. A crítica não ficou apenas na esfera técnica: Bassetti ainda fez referência a reações públicas, cobrando posicionamento de figuras que apoiaram ou se associaram a Kennedy Jr.
“Espero que alguns dos ‘nossos’ personagens, como uma ex-bailarina, tomem distância de Kennedy Jr em vez de me acusarem de bullying no X [antigo Twitter] quando eu disse que o secretário americano da Saúde é um ex-tóxico. Agora ele mesmo confirmou isso”, disse o diretor do San Martino, em referência a trocas recentes nas redes sociais envolvendo defensores e críticos do secretário.
As declarações de Bassetti foram dadas depois que Robert Kennedy Jr falou publicamente sobre o próprio passado de dependência química durante uma transmissão — relato que reacendeu debates sobre a adequação de figuras com histórico de abuso de substâncias a posições-chave na administração pública de saúde.
Como repórter com apuração in loco e cruzamento de fontes, registro que o episódio insere-se num quadro mais amplo de questionamentos sobre autoridade técnica, credibilidade e responsabilidade pública. A natureza das afirmações torna imperativo o debate sobre transparência, capacidade de gestão em saúde e os limites entre vida privada e desempenho de funções públicas.
Os fatos divulgados por Bassetti — e confirmados em parte pelas próprias palavras de Kennedy Jr — mantêm o foco no escrutínio público: se um gestor admite práticas autodestrutivas no passado, cabe à esfera política e institucional decidir sobre sua permanência ou não, com base em critérios de competência, confiança pública e segurança sanitária.
Reportagem por Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia. Apuração com fonte direta: entrevista concedida à Adnkronos Salute por Matteo Bassetti.






















