ROMA — O Conselho de Ministros da Itália foi convocado para as 15h30 (horário local) com um único ponto formal na pauta: deliberar o estado de emergência para Calábria, Sardenha e Sicília, regiões atingidas nos últimos dias por uma sequência de mau tempo associada ao ciclone Harry. A informação consta na convocação oficial da reunião, que concentra a decisão justamente na ativação do instrumento extraordinário de proteção civil.
Após o encerramento do encontro, o governo prevê uma atualização pública. Segundo a programação anunciada, “na Sala de Imprensa do Palazzo Chigi, será realizada uma coletiva com os representantes do governo envolvidos nos provimentos adotados no Conselho de Ministros”. A iniciativa busca detalhar as medidas tomadas e os passos imediatos na resposta institucional ao evento extremo.
O ministro italiano para a Proteção Civil e as Políticas do Mar, Nello Musumeci, foi direto ao tratar do tema central que costuma acompanhar a abertura de estados de emergência: o dimensionamento dos recursos. “Não fazemos cálculos que, neste momento, podem ser absolutamente desprovidos de confiabilidade”, afirmou, ao explicar que o primeiro repasse é, em regra, o inicial e ordinário, destinado a permitir que municípios e entes locais consigam cobrir despesas de extrema urgência.
Na prática, esse aporte preliminar tem como alvo despesas imediatas já geradas por ordens e intervenções emergenciais, como a recomposição de trechos críticos de viabilidade (estradas e acessos) e o restabelecimento da funcionalidade de serviços essenciais. Musumeci enfatizou que o “cálculo verdadeiro” dos custos só é possível quando houver a conclusão da reconhecimento e da quantificação dos danos em campo, etapa técnica indispensável para consolidar o quadro de perdas e definir a engenharia financeira de médio prazo.
O ministro também buscou delimitar o que, segundo ele, é a questão estrutural por trás do debate sobre dinheiro. “É claro que não é um problema de recursos”, disse, deslocando o foco para dois pontos que, na sua avaliação, condicionam o sucesso da resposta pública: projetualidade (capacidade de transformar necessidades em projetos executáveis) e abertura de canteiros (tirar obras do papel e iniciar intervenções). A leitura apresentada é que, sem projetos maduros e com execução lenta, o volume de verbas por si só não resolve o gargalo da reconstrução.
Musumeci reconheceu ainda que a eficiência administrativa no país é desigual. “Infelizmente, na Itália, como se sabe, deste ponto de vista, em ‘mancha de leopardo’, nem sempre somos eficientes”, afirmou, indicando que o desempenho varia conforme territórios, estruturas e capacidade local de execução. Essa diferença, em emergências, pode ampliar prazos e dificultar a padronização de respostas entre regiões afetadas.
Sobre as próximas etapas, o ministro informou que, embora o primeiro aporte seja o ordinário, “nos próximos dias” devem ser adotados outros provimentos normativos com dois focos: sustentar empresas impactadas e permitir a reconstrução de infraestruturas. Musumeci acrescentou um elemento observado em inspeções diretas: afirmou ter visto com os próprios olhos estruturas “realizadas sobre a areia”, uma referência a obras executadas em condições frágeis e vulneráveis, especialmente em áreas costeiras expostas.
A orientação declarada pelo ministro é que a resposta não se limite à velocidade. “Não basta reconstruir rápido: é preciso reconstruir bem”, disse, apontando o risco de que uma próxima marejada ou novo episódio de mau tempo devolva o território à mesma condição atual se as soluções não tiverem padrão técnico adequado e critérios de resiliência. O recado, no desenho do governo, é combinar urgência na assistência com consistência na obra — sobretudo onde o ciclone e as tempestades expuseram fragilidades antigas.
Com a reunião do Conselho de Ministros marcada e a coletiva prevista na sequência, a expectativa imediata é pela formalização do estado de emergência e pela indicação do primeiro pacote de recursos para custear ações de curto prazo, enquanto a estimativa consolidada de danos segue em elaboração técnica pelas estruturas competentes.






















