Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Na noite de domingo, 18 de janeiro, mais de 7 mil pessoas percorreram o centro histórico de Isernia até o hospital Ferdinando Veneziale em uma fiaccolata convocada para defender a saúde pública no Molise. A mobilização foi promovida pelo sindaco civico di centrosinistra Piero Castrataro e por entidades locali; o primeiro-cidadão mantém uma tenda instalada em protesto em frente ao hospital há mais de vinte dias.
A iniciativa reuniu apoio do capoluogo e das aree interne da província. Em representação desses territórios, o sindaco de Capracotta, Candido Paglione, fez um diagnóstico sem rodeios: “Aqui o direito à saúde é sistematicamente negado e é o resultado de escolhas políticas precisas”. Paglione enumerou o que classifica como um processo de esvaziamento: hospitais públicos enfraquecidos, presídios sanitários substituídos por guardas médicas nas zonas rurais e a perversa distinção entre “ospedali di terzo livello” e “ospedali elettivi senza pronto soccorso”.
O prefeito de Capracotta acusou o governo Meloni de institucionalizar desigualdades ao tornar provisórias decisões administrativas em políticas estruturais, e apontou para um risco maior: o desmonte, peça por peça, da lei 833/1978 que instituiu o Serviço Sanitário Nacional italiano. “Quem vive nas áreas internas corre o risco de se tornar cidadão de série B, obrigado a escolher entre renunciar ao tratamento ou se deslocar dezenas de quilômetros”, disse Paglione, encerrando com a promessa: “Defender o direito à saúde não é uma concessão: é um dever constitucional. E esta batalha não se vai parar aqui”.
Do ponto de vista institucional, a manifestação também recebeu posicionamentos políticos. A conselheira regional Micaela Fanelli (PD) avaliou que de Isernia partiu “um sinal claro dirigido a toda a política, regionale e nazionale”, e questionou se os administradores transformarão essa pressão popular em atos concretos para garantir o direito à saúde no território.
O conselheiro Angelo Primiani (M5S), por sua vez, assumiu tom crítico nas redes sociais: em um post no Facebook ressaltou que “hoje a fazer barulho não é só a presença de quem estava na praça, mas também algumas ausências que pesam e que amanhã terão de ser explicadas aos cidadãos”.
O movimento ganhou contornos mais amplos após o encontro “Il grande malato”, realizado em Termoli em 16 de janeiro. Na ocasião, o presidente da Fondazione Gimbe, Nino Cartabellotta, qualificou a situação da sanità locale como “crítica”. O segretário geral da CGIL Molise, Paolo De Socio, denunciou o vínculo entre a sanità privata e a esfera política, colocando em relevo interesses que, segundo ele, agravam o desmonte dos presídios pubblici.
Relato bruto, sem adornos: a mobilização em Isernia materializa uma tensão acumulada entre população, gestores locais e decisões políticas regionais e nacionais. A vigilância cidadã permanece ativa e os protagonistas locais prometem manter a resistência até obter respostas palpáveis sobre investimentos, serviços e a manutenção dos presídios sanitários nas áreas internas.



















