Por Giulliano Martini — A circulação da influenza na Itália mostra sinais claros de redução, porém registra uma exceção preocupante: aumento de casos entre crianças de 0-4 anos. É o que indica o relatório semanal da vigilância RespiVirNet, publicado pelo Istituto Superiore di Sanità (ISS).
Segundo o documento, na semana de 12 a 18 de janeiro a incidência total de infecções respiratórias agudas na comunidade foi de 12,7 casos por 1.000 assistidos, uma queda em relação aos 13,3 registrados na semana anterior. A estimativa é de aproximadamente 720 mil novos casos nessa semana, elevando o total desde o início da vigilância para cerca de 9,2 milhões de casos.
O padrão observado nas últimas três semanas mostra que a curva epidêmica entrou numa fase descendente mais cedo do que as previsões iniciais apontavam. No entanto, o registro por faixa etária revela comportamento distinto: todas as faixas apresentam redução da incidência, com exceção da faixa pediátrica de 0-4 anos, que aumentou para aproximadamente 33 casos por 1.000 assistidos.
Especialistas do Departamento de Doenças Infecciosas do ISS destacam que, apesar da tendência de queda, “é altamente improvável que a circulação volte aos níveis do pico registrado no final de dezembro”. Ainda assim, segundo a equipe técnica, “no fluxo comunitário e na faixa de idade 0-4 anos, a circulação dos vírus respiratórios permanece elevada” — um dado que exige vigilância contínua.
O relatório também aponta que o fluxo hospitalar continua a registrar um número significativo, embora em retração, de casos graves. Esses casos graves são causados predominantemente por vírus influenza em indivíduos não vacinados, segundo o cruzamento de fontes e dados laboratoriais compilados pelo ISS.
Há variação territorial na intensidade da circulação viral: muito alta em Basilicata, Campania e Puglia; alta na Sardenha; média no Molise; e baixa nas demais regiões e províncias autônomas, exceto a Província de Trento, onde a atividade retornou ao nível basal.
Do ponto de vista da vigilância, os técnicos reforçam a necessidade de manter o monitoramento clínico e laboratorial, sobretudo na rede pediátrica e nos serviços de atenção primária, para identificar precocemente surtos localizados e casos graves. O relatório RespiVirNet funciona como referência para o planejamento de respostas regionais e nacionais.
Esta avaliação jornalística baseia-se no relatório oficial do ISS e no cruzamento de dados público, com apuração focada nos números brutos e nas implicações operacionais para serviços de saúde e gestores. A evolução das próximas semanas será determinante para confirmar a tendência descendente em todas as faixas etárias e regiões.






















