O balanço definitivo da tragédia no clube Le Constellation, em Crans-Montana (Suíça), na noite de Ano-Novo, confirma a morte de 40 pessoas. As operações de identificação, porém, permanecem difíceis: até o momento apenas seis corpos foram oficialmente reconhecidos devido às más condições em que foram encontrados.
Autoridades e representantes italianos presentes no local apontaram falhas nos dispositivos de proteção. O ministro degli Affari esteri, Antonio Tajani, declarou que entrou apenas no saguão do estabelecimento e percebeu que “algo não funcionou” — em especial as rotas de fuga e as medidas anti-incêndio, que não teriam operado conforme esperado.
O assessor de Bem-Estar da Lombardia, Guido Bertolaso, em entrevista à rádio RTL 102.5, criticou a situação e ponderou sobre a diferença nas práticas de segurança ao longo das décadas: “Quando nós éramos jovens, as medidas de segurança e o conhecimento dos riscos eram muito diferentes do que se sabe hoje; naquela época se podia festejar em locais improvisados, mas hoje isso não é mais aceitável em um país moderno como a Suíça”.
Bertolaso afirmou que, apesar da reputação de rigor suíço em algumas áreas — citando, por exemplo, o controle de velocidade —, estruturas com graves deficiências de segurança acabaram sendo permitidas. “As imagens são simplesmente alucinantes. Nessa sala, com aqueles materiais, os jovens não deveriam estar. Não havia saídas de emergência suficientes. Agora as investigações terão que esclarecer responsabilidades na Suíça, dos proprietários e gestores”, disse.
Das vítimas e feridos, sete indivíduos estão internados no hospital Niguarda, em Milão; todos em estado considerado muito crítico, em unidades de terapia intensiva. Bertolaso explicou que uma equipe italiana avaliou hospitais suíços e italianos para possibilitar transferências seguras: alguns pacientes foram considerados intransportáveis, outros aguardam liberação médica para deslocamento, e parte dos feridos já foi encaminhada ao centro suíço para grandes queimados, em Zurique.
Há ainda duas vítimas não oficialmente identificadas, cobertas por curativos nas fotografias, o que tem dificultado as confirmações. Em relação a um eventual transporte para o Niguarda, Bertolaso informou que também existe a possibilidade de receber um cidadão suíço com nome italiano, atendendo a pedidos das autoridades locais.
As famílias das vítimas pressionam por informações rápidas e claras. Bertolaso afirmou ter oferecido disponibilidade máxima aos parentes: disse que deixou seus contatos pessoais e pediu que os familiares o procurem diretamente, para acelerar a comunicação e o suporte às vítimas e às suas famílias.
As investigações oficiais em solo suíço buscarão determinar as causas exatas do incêndio, as eventuais responsabilidades dos responsáveis pelo local e se as normas de segurança e prevenção de incêndios foram corretamente aplicadas e fiscalizadas. Enquanto isso, continua a identificação das vítimas e a gestão dos feridos graves.































