Apuração in loco e cruzamento de fontes: o relatório semanal da vigilância RespiVirNet, divulgado hoje, aponta uma redução da atividade gripal na comunidade durante a semana de 19 a 25 de janeiro. A incidência global de infecções respiratórias agudas foi estimada em 11,3 casos por 1.000 assistidos, em queda frente aos 12,7 da semana anterior.
Os técnicos estimam aproximadamente 621 mil novos casos nessa semana, elevando o total desde o início da vigilância para cerca de 9,8 milhões — um volume que se aproxima de 10 milhões de episódios gripais registrados na temporada. O boletim detalha ainda variações regionais claras: a intensidade do vírus é classificada como muito alta na Basilicata e na Campânia, média no Molise, Puglia e Sardenha, e baixa na maioria das demais regiões, com a Ligúria retornando a níveis basais.
No fluxo comunitário, a taxa de positividade para gripe na semana 2026-04 alcançou 26,6%; no fluxo hospitalar, o índice foi de 24,3%. A vigilância das formas graves e complicadas aponta redução no número de casos na terceira semana (12 a 18 de janeiro) em comparação com a mesma semana da temporada anterior.
Entre as formas graves, o subtipo predominante é o A(H1N1)pdm09. O boletim chama atenção para um dado epidemiologicamente relevante: a maioria dos casos graves e complicados ocorreu em pessoas não vacinadas, reforçando o papel da vacinação como ferramenta de proteção contra evolução severa da doença.
Quanto à caracterização virológica, observa-se diferença entre comunidade e ambiente hospitalar. Na comunidade, predomina a circulação de A(H3N2) em maior proporção que o A(H1N1)pdm09. Já entre os isolados hospitalares subtipados, há uma leve predominância de A(H1N1)pdm09 em relação ao A(H3N2). Até o momento, nenhum espécime analisado foi identificado como influenza A “não subtipável”, o que poderia indicar circulação de cepas aviárias; esse dado é relevante para vigilância e vigilância genômica.
As análises de sequenciamento do gene HA dos vírus A(H3N2) mostram predominância, no âmbito do clade 2a.3a.1, do subclade K. Para os vírus A(H1N1)pdm09, a maioria dos isolados agrupa-se no subclade D.3.1.1. Esses agrupamentos são fundamentais para monitorar deriva genética e avaliar a compatibilidade com as formulações vacinais.
Em síntese, o cenário atual aponta para uma ligeira desaceleração da circulação gripal, ainda assim com regiões que mantêm intensidade elevada e com predomínio de subtipos que exigem atenção contínua das autoridades de saúde. A vigilância ativa, o sequenciamento e a ampliação da cobertura vacinal permanecem medidas centrais para reduzir hospitalizações e formas graves.
Giulliano Martini – Correspondente da Espresso Italia. Reportagem baseada no relatório RespiVirNet e no cruzamento de dados oficiais; foco em fatos brutos e na efetividade das medidas de saúde pública.





















