Greve nacional dos táxis foi convocada para o dia 13 de janeiro de 2026 e deve mobilizar grande parte das cidades italianas, com exceção da Úmbria. A paralisação está marcada das 08:00 às 22:00 e reúne cerca de vinte sindicatos que apontam críticas diretas ao governo e ao avanço das plataformas digitais no transporte público não de linha.
Trata-se do primeiro movimento de alcance nacional do setor em 2026. O setor de táxis é regulado em nível municipal e funciona por meio de licenças em número fechado. Nos últimos anos, a entrada de plataformas de intermediação — como o caso mais citado, Uber — reacendeu o conflito entre os profissionais do setor, autoridades locais e o Executivo sobre regras, formas de concorrência e mecanismos de controle.
Os manifestantes reclamam, em essência, que a regulação prevista para coibir o abuso e a concorrência desleal não foi implementada integralmente. Parte dos decretos previstos por uma lei de 2019, direcionada ao combate ao abusivismo, permanece incompleta, segundo a leitura das associações que aderiram à paralisação.
Em Roma, a agenda de protestos inclui ações públicas: grupos de motoristas de várias cidades se concentrarão pela manhã em Fiumicino. A partir dali partirá um cortejo com destino ao centro da capital. O percurso previsto chega à Piazza Bocca della Verità e segue rumo a Montecitorio, onde, a partir das 11:00, será realizado um ponto de concentração definido pelos organizadores como um “corteo statico” — um protesto sem dispersão contínua, com permanência diante das instituições.
Nem todas as siglas do setor aderiram ao chamado. A Unione Radiotaxi d’Italia (URI) e o consórcio itTaxi comunicaram que não participarão da paralisação, o que indica um cenário setorial fragmentado e com diferentes estratégias de negociação com as autoridades.
Em termos de impacto prático, a previsão é de que o serviço de táxi ficará substancialmente reduzido ao longo do dia, com possíveis reflexos sobre deslocamentos urbanos e aeroportuários. Autoridades municipais e estruturas de transporte público poderão adotar medidas de emergência para minimizar transtornos, como reforço de linhas de ônibus, metrô e serviços alternativos.
Do ponto de vista jurídico e administrativo, o conflito expõe uma tensão persistente: a coexistência entre um modelo de concessões municipais com número limitado de licenças e um mercado cada vez mais digitalizado e transnacional. O impasse passa pela conclusão dos atos normativos pendentes e por decisões políticas que definam parâmetros de atuação para as plataformas e salvaguardem a atividade regulamentada dos condutores de táxi.
A apuração foi feita com base em comunicados sindicais, notas oficiais das associações de categoria e convocações públicas para as manifestações em Roma. A La Via Italia seguirá acompanhando os desdobramentos e informará sobre eventuais acordos, adesões adicionais ou medidas adotadas pelas administrações locais.






















