Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam que o grupo carabinieri Tutela del Lavoro, por delega do procurador de Milão Paolo Storari, executou um decreto de controle giudiziario contra a empresa de entregas Foodinho, pertencente ao grupo Glovo, no âmbito de uma investigação por caporalato.
Segundo os militares, a análise salarial do universo investigado revela que 75% dos riders do painel pesquisado recebem remuneração inferior à linha da pobreza, com um desvio médio de cerca de 5.000 euros brutos anuais. Em comparação com os contratos coletivos nacionais de referência, 87,5% do amostra aparecem como sottopagati (subremunerados), com discrepâncias máximas que podem chegar a 12.000 euros por ano.
O procurador ressalta, no decreto, que os elementos apurados atestam uma situação de verdadeiro e prolongado exploração laboral: ‘situação de ilegalidade que é indispensável fazer cessar ao mais presto, considerando também che coinvolge um numero rilevante di lavoratori che vivono con retribuzioni sotto la soglia di povertà’. O documento aponta a necessidade de intervenção urgente, dada a persistência do estado de necessidade entre os trabalhadores afetados.
Relatórios sindicais e dossiês corroboram o quadro: o Nidil Cgil registrou pagamentos por entrega que chegam a 2 euros, com encargos e riscos a cargo integral dos profissionais. ‘Compensi fino a 2 euro a consegna, costi e rischi tutti a carico dei lavoratori’, resume o levantamento.
Testemunhos colhidos na investigação ilustram o impacto prático das medidas de remuneração. Um entregador afegão ouvido pelos investigadores relata: ‘Vorrei che la paga fosse più alta. Ieri ho effettuato una consegna percorrendo 4,8 chilometri mentre pioveva e sono stato retribuito con 2,72 euro. Reputo questo ingiusto e sbagliato perché ho provato molta fatica.’ A resposta escrita dos trabalhadores às questões dos investigadores é recorrente: a paga é ‘misera’ e muitos vivem ‘in uno stato di indigenza’.
Exemplos são citados no decreto: um trabalhador afirma receber ‘800-900 euro al mese’, pagar 250 euros pelo posto letto e enviar 400 euros à família no Bangladesh; outro relata limitações físicas que reduzem sua capacidade laboral; outro ainda diz trabalhar 10-12 ore al giorno, dal lunedì alla domenica; e há quem admita usar uma segunda conta em outra plataforma (Deliveroo) para garantir 50-60 euros adicionais, gerando maior desgaste e exaustão.
Como correspondente com longa vivência na Itália, destaco a clareza dos números e a coerência entre as evidências documentais e as declarações testemunhais. O decreto enfatiza a urgência de interromper práticas ilegais que configuram caporalato e deixam milhões em vulnerabilidade econômica e social. A investigação agora seguirá procedimentos judiciais específicos para avaliar responsabilidades e determinar medidas cautelares sobre a atividade da Foodinho no mercado.
Mantemos o acompanhamento desta pauta: apuração contínua, verificação de eventuais contestações por parte da empresa e monitoramento das medidas adotadas pelas autoridades trabalhistas e judiciais.






















