AGI — O deslizamento de Niscemi não pode ser tratado como um fenômeno imprevisível. Esta é a avaliação pública do Ordine regionale dei geologi di Sicilia, que expressou “profunda e sincera solidariedade” às famílias afetadas e ressaltou que os sinais de fragilidade do território são históricos e documentados.
Segundo o presidente Paolo Mozzicato, após apuração in loco e o cruzamento de estudos científicos e arquivos históricos, o episódio deve ser enquadrado em um contexto geológico conhecido. “Os precedentes de 1790 e 1997, amplamente descritos em documentos e pesquisas, demonstram que a área apresenta uma fragilidade estrutural e geológica de longo prazo”, afirmou o responsável.
O diagnóstico técnico aponta para características dos terrenos — em especial a natureza arenoso-argilosa-marnosa — e para o particular arranjo estratigráfico do talude da colina de Niscemi. Trata-se de processos de movimentação de massa “lentos, porém persistentes”, que podem ser reativados por condições preponderantes e desencadeantes, como períodos prolongados de chuva, alterações no escoamento natural das águas, urbanizações inadequadas face às características do solo e manutenção insuficiente das obras de regulação hidráulica.
À luz desses elementos, o Ordine regionale dei geologi ressalta a imprescindibilidade do papel do geólogo na prevenção do dissesto idrogeológico, no planejamento territorial e na gestão de emergências. A entidade espera que a crise em Niscemi se torne “um ponto de virada”: não apenas para enfrentar a situação atual com responsabilidade e transparência, mas também para impulsionar uma reflexão estrutural sobre o modelo de governança do território, devolvendo à competência técnica e científica o papel central que lhe cabe.
Enquanto a análise técnica segue, as operações de socorro permanecem intensas. O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, informou que subiu para 1.500 o número de pessoas abrangidas pela chamada zona rossa da frana. A área de risco levou à evacuação de centenas de famílias e causou danos significativos ao patrimônio edilício, gerando um clima de apreensão e incerteza local.
Por precaução, a fascia di rispetto foi ampliada de 100 para 150 metros, enquanto a linha de fratura já alcançou quatro quilômetros. Musumeci, a partir da Unidade de Crise em Roma, fez questão de agradecer — em nome da premiê Giorgia Meloni — a prefeitos, ao corpo do prefecto, às Forças da Ordem, aos Bombeiros, a técnicos e a voluntários que atuam para proteger os cidadãos e reduzir os transtornos. “Assegurei que o governo nacional fará sua parte até o fim”, declarou o ministro.
Do ponto de vista operacional e técnico, a lição imediata apontada pelos geólogos é clara: é necessário integrar o conhecimento científico na governança territorial e ativar planos de monitoramento e manutenção para evitar que processos geológicos lentos se convertam em desastres com impacto humano e material relevante. A apuração segue, e o cruzamento de fontes continuará orientando medidas emergenciais e de médio prazo.






















