Garlasco — A defesa de Andrea Sempio protocolou junto à juíza de instrução Daniela Garlaschelli um pedido formal para a abertura de um incidente probatório envolvendo os computadores de Chiara Poggi e de Alberto Stasi. Se acolhido, o exame será realizado em regime de contraditório, com a participação da Procura de Pavia, da defesa do condenado e dos advogados das partes civis.
O pedido notificado aos envolvidos pretende a realização de novos exames periciais nos equipamentos e nos arquivos digitais relacionados ao caso. Trata-se de uma etapa processual que, segundo o pleito da defesa de Sempio, visa esclarecer pontos técnicos apontados em laudos recentes e permitir confrontos probatórios presenciais entre as partes.
Nos dias anteriores, os advogados das partes civis — Gian Luigi Tizzoni e Francesco Compagna — apresentaram à Procura de Pavia os resultados de uma nova perícia informática. Segundo os peritos indicados por eles, há indícios de que, na noite anterior ao crime, Chiara Poggi teria acessado uma pasta no computador de Stasi onde estavam catalogados por gênero numerosos arquivos de conteúdo pornográfico já analisados em fases anteriores do processo.
Os representantes das partes civis já declararam que procuram evitar tentativas de reabilitar o condenado à conta da família da vítima, lembrando que as provas reunidas no processo e validadas pela primeira sentença da Cassação permanecem centrais. Em comunicado, os advogados afirmaram ter solicitado o aprofundamento informático exatamente para contestar o que consideram “informações falsas” divulgadas ao público ao longo dos últimos meses.
Por sua vez, a defesa de Alberto Stasi, através das advogadas Giada Bocellari e Antonio De Rensis, informou ter contratado um perito informático para novos exames no computador da vítima. A linha técnica da defesa foca, em particular, na análise do acesso ao arquivo da tese de Stasi, cuja abertura teria ocorrido entre as 22:09 e as 22:14 da noite anterior ao crime, em 12 de agosto de 2007.
Do ponto de vista procedimental, é relevante anotar que nem a defesa de Stasi nem os advogados dos Poggi podem, nesta fase, requerer o exame com a fórmula do incidente probatório, nos termos do Código de Processo Penal. O pedido apresentado é justamente da defesa de Sempio; se a juíza Garlaschelli aceitar, todas as partes poderão atuar em contraditório durante os novos exames.
Em termos investigativos, as iniciativas técnicas e processuais descritas indicam uma clara ênfase na busca por elementos que possam esclarecer o eventual motivo do homicídio. Trata-se de uma sequência de ações periciais e jurídicas que mantêm o foco na prova digital — arquivos, logs de acesso e metadados — como possível fonte de luz sobre aspectos ainda controversos do caso.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e análise técnica: a movimentação processual em Garlasco segue no crivo da legalidade e da técnica, com o objetivo explícito de levar ao juízo fatos técnicos passíveis de verificação em ambiente adversarial.






















