Por Giulliano Martini — A Garante para a Infância e a Adolescência, Marina Terragni, manifestou preocupação expressa sobre as condições psicossociais dos três menores do caso Trevallion — conhecido na imprensa como a família no bosque. A posição foi divulgada em resposta a uma carta pública da mãe, Catherine Birmingham, que confirmou informações anteriores sobre o agravamento do quadro dos crianças.
Segundo a autoridade, os menores estariam vivendo “em um constante estado de sofrimento e de ansiedade”, quadro que se traduz, na prática, em distúrbios do sono e alterações do comportamento. Terragni alerta que as crianças — que, segundo documentos, ingressaram na estrutura em boas condições psicofísicas — correm o risco de sair de lá em situação pior, “irreparavelmente marcadas pelas consequências do trauma da separação”.
“A saúde e o bem-estar dos menores são e devem permanecer, em todos os casos, inclusive neste, a absoluta prioridade em todos os procedimentos que os envolvam”, afirmou a Garante, em pronunciamento de tom técnico e com foco na proteção dos direitos da criança. A entidade reforça que esse princípio não pode ser subordinado a outras considerações processuais ou sociais.
Terragni citou ainda uma perícia independente realizada pela ASL Lanciano Vasto Chieti, que já havia identificado sinais de sofrimento nos menores. O laudo apontava ser “indispensável favorecer e restabelecer uma rotina na situação afetiva por meio da garantia de continuidade dos vínculos familiares, a fim de extinguir os comportamentos de sofrimento evidenciados pelas crianças”.
O documento da ASL, segundo a Garante, indica que a interrupção abrupta das rotinas afetivas contribui de forma direta para a persistência e agravamento dos sinais clínicos observados — principalmente os distúrbios do sono e as alterações comportamentais descritas por cuidadores e profissionais.
Em termos práticos, Terragni solicitou que as condições de saúde dos menores sejam cuidadosamente monitoradas por equipes multidisciplinares e que, em prazo razoável, seja avaliada a possibilidade de restituição dos pais às crianças e das crianças aos pais, sempre tendo em vista a proteção integral dos direitos infantojuvenis.
A carta de Catherine Birmingham, mãe dos menores, serviu de gatilho para a reapresentação pública do caso pela Garante. No texto, a mãe relata situações que confirmam o aumento de sinais de angústia e demanda acompanhamento clínico e social próximo.
O posicionamento de Marina Terragni reafirma um princípio central das políticas de infância: a prioridade absoluta ao bem-estar da criança, com base em evidências técnicas e avaliações independentes. A recomendação da Garante combina a observação clínica (documentada pela ASL) e a salvaguarda dos vínculos familiares como instrumento terapêutico essencial para a recuperação de menores submetidos a processos de separação.
Seguimos com apuração em curso: vamos solicitar às autoridades locais informações sobre os planos de monitoramento clínico e os prazos previstos para a revisão das medidas que mantêm as crianças afastadas dos pais, a fim de acompanhar desdobramentos e atestar a conformidade com os padrões de proteção infantil.






















