Apuração do Ministério Público de Roma identificou mais de 90 episódios atribuídos a um esquema de subtração de mercadorias na loja Coin da estação Termini. Ao todo são investigadas mais de 44 pessoas, entre funcionários e agentes das forças de segurança, segundo documentos da investigação conduzida pelo procurador-assistente Stefano Opilio.
O centro do caso é um suposto desfalque de 184 mil euros, detectado no inventário de fevereiro de 2024 e relativo ao exercício anterior, cuja denúncia foi formalizada pelo diretor do estabelecimento de Termini. As apurações cobriram pouco mais de quatro meses e identificaram mais de 90 transações irregulares.
As equipes analisaram dados extraídos de um software instalado em uma das caixas. A partir desse cruzamento de informações foi apontada a atuação ilícita de uma funcionária considerada a ‘talpa interna’, que atuava como caixa na loja. Segundo a hipótese investigativa, a mulher selecionava peças previamente, ocultava-nas em um armário próximo ao posto de pagamento, removia as proteções antitaccheggio e manipulava transações para padronizar registros.
O método descrito nos autos inclui a realização de pagamentos por valores de algumas dezenas de euros que não eram registrados no leitor fiscal, em paralelo à retirada de mercadorias de valor superior. Em outras ocasiões, teria sido impresso um recibo antigo como comprovante de compra e inserido na embalagem para simular venda legítima. Também foram relatadas alterações manuais de preços no registrador e simulação de pagamento eletrônico.
Entre os investigados constam agentes das corporações: nove poliziotti e doze carabinieri. Segundo apurado, os envolvidos foram transferidos para outras unidades logo após a notificação do aviso de investigação, medida administrativa preventiva adotada pelas forças de segurança.
A defesa reagiu com veemência. O advogado Andrea Falcetta, que representa oito dos carabinieri investigados, destacou que parte da imprensa antecipou juízo de culpa: ‘No último ano eles efetuaram cerca de 50 prisões em flagrante e quase cem denúncias a pé livre. Também atuaram em serviços antitaccheggio disfarçados, recuperando e restituindo mercadorias no valor de milhares de euros’. Falcetta afirmou ainda que os valores em causa seriam em sua maioria de pequenas quantias e que irá demonstrar a insubsistência das acusações.
As investigações seguem sob coordenação do procurador Stefano Opilio e incluem análise de registros de caixa, imagens internas e interações entre funcionários e clientes nos períodos apontados. A apuração permanece em curso, com diligências para consolidar provas e ouvir testemunhas, sem prejuízo do princípio da presunção de inocência que rege o processo penal.
Este é um caso que reúne elementos de gestão interna, tecnologia forense aplicada a sistemas de vendas e investigação sobre possíveis conivências externas. A realidade traduzida pelos autos exige agora o crivo judicial para confirmar a extensão do suposto esquema e a eventual responsabilidade dos investigados.






















