Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A igreja repleta, o silêncio composto e a música que marcou a cerimônia: a Lacrimosa de Mozart abriu o adeus oficial a Valentino na Basilica di Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, em Roma. A imagem predominante foram as rosas brancas — exatamente como o estilista desejara — e um “grazie” coletivo por aquilo que outro adjetivo não alcança: a beleza.
As exéquias ocorreram após dois dias de homenagem pública. Cerca de 10.000 pessoas prestaram a última homenagem ao criador na câmera ardente montada em Praça Mignanelli, nas instalações da Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti. Hoje, a Basillica recebeu milhares de pessoas: celebridades internacionais, cidadãos comuns e representantes do mundo da moda reunidos num tom de sobriedade e elegância.
Ao longo da cerimônia, um longo aplauso percorreu a nave quando o caixão de Valentino Garavani foi conduzido. Fora da igreja, a saída da urna foi acompanhada por Il nostro concerto, de Umberto Bindi; em seguida, houve trecho de “O mio Babbino Caro“, de Giacomo Puccini. O corpo foi então colocado em um carro fúnebre adornado por um colchão de rosas brancas e encaminhado ao cemitério de Prima Porta.
Entre as flores externamente dispostas à entrada da Basílica destacou-se uma coroa de rosas vermelhas enviada pela modelo Claudia Schiffer. O contraste com a proposta de Valentino — a predominância do branco — foi discreto, mas visível.
O cortejo incluiu os veículos que trouxeram o ex-companheiro e sócio histórico Giancarlo Giammetti e o último companheiro, Vernon Bruce Hoeksema, que entrou na igreja ao lado dos pequenos carlinos que foram presença frequente na vida do estilista. Emocionado, Vernon falou ao fim da missa: “Não te digo arrivederci, mas grazie”, disse com a voz embargada.
O tom do público foi de austeridade estética: tailleurs sóbrios e casacos pretos, com eventuais toques do famoso vermelho Valentino em chapéus ou lenços de seda — manifestação contida do vínculo estético com o criador homenageado. Havia organização administrativa e presença discreta de controle, para que a cerimônia transcorrera com serenidade.
O celebrante, Don Pietro Guerini, encerrou a homilia lembrando o legado: “Caro Valentino, graças pelo tesouro de beleza que soubeste gerar e partilhar”. O sacerdote destacou que a beleza do estilista irradiou “vitalidade e alegria” e suscitou sonhos em gerações distintas, definindo as criações como uma “nova sapienza de vida”.
Relato baseado em apuração simultânea no local e verificação junto à Fundação Valentino. Fatos brutos — música, público, percurso até Prima Porta e palavras de despedida — compõem o cenário deste último adeus, em que mais uma vez a estética e a sobriedade do mundo Valentino se alinharam para marcar a despedida oficial do grande estilista italiano.
















