Por Giulliano Martini, La Via Italia — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam detalhes cruéis sobre o assassinato de Federica Torzullo. Segundo o decreto de prisão preventiva, o marido, Claudio Agostino Carlomagno, é acusado de homicídio agravado e de ocultação de cadáver; após o crime ele teria tentado queimar o corpo e fragmentá-lo para impedir o reconhecimento.
O corpo da mulher, de 41 anos, foi encontrado há dois dias enterrado em um canavial nos fundos da empresa da família, em Anguillara Sabazia, na província de Roma. A vítima estava em uma cova escavada com equipamento mecânico e parcialmente coberta por arbustos e detritos. Os investigadores qualificaram o episódio como de “particular ferocidade”.
De acordo com o documento da autoridade judicial de Civitavecchia, há indícios de que o acusado preparava-se para fugir. Os promotores apontam que a gravidade dos fatos e as ações de tentativa de dissimulação demonstram capacidade de organização, o que poderia facilitar uma eventual latitância.
Entre as evidências recolhidas, peritos do RIS e do Nucleo Investigativo dos Carabinieri de Ostia encontraram, com uso de luminol, manchas de sangue no piso à entrada da casa e em outros pontos internos. Os investigadores também levantaram que o homem lavou suas roupas de trabalho — peças localizadas dentro de uma secadora — o que é interpretado como tentativa de limpar vestígios. Há ainda indícios de que o autor passou a usar o celular da vítima após o homicídio, em ato possivelmente destinado a despistar as investigações.
O último contato do aparelho de Federica com a família, pela troca de mensagens com a mãe, remonta à manhã de sexta-feira, 9 de janeiro, entre 7h55 e 8h05 — horário em que, segundo a investigação, ela já estaria morta. Imagens de vídeo mostram o marido saindo de carro da residência no mesmo intervalo temporal. Subsequentemente, ambos os telefones foram localizados na área da empresa onde o corpo foi encontrado.
Após a primeira noite em cela, o detido optou pelo silêncio. Ele exerceu a faculdade de não responder aos questionamentos do promotor que conduz o caso e do procurador Alberto Liguori, que o interrogou no cárcere de Civitavecchia na presença de seu advogado.
Permanecem pontos essenciais a esclarecer: a arma do crime ainda não foi localizada e o motivo preciso do homicídio não foi definitivamente estabelecido. Fontes judiciais confirmam que o casal estava em processo de separação; hipótese em investigação é de que uma discussão tenha escalado para a agressão. Não se descarta que a vítima tenha sido atacada dentro do closet da suíte e, ferida, tenha tentado alcançar a porta, onde teria sido morta.
Também é apurada a possibilidade de participação de terceiros: há interrogações sobre se houve ou não cumplicidade em ações de ocultação do cadáver. A casa onde ocorreu a agressão era ocupada pelo casal e pelo filho de 10 anos, que, conforme relatos oficiais, vivia no imóvel.
Os autos descrevem movimentações no local e procedimentos administrativos adotados pelos peritos para preservar vestígios. A autoridade judiciária sustenta que as condutas do acusado, desde a lavagem de roupas até o suposto uso do telefone da vítima, configuram tentativa de dissimulação compatível com o agravamento das imputações.
Esta é a realidade traduzida até o momento pela investigação de Civitavecchia e pelo trabalho técnico dos peritos. Novas diligências estão em curso para localizar a arma, analisar toda a cadeia de comunicação dos aparelhos eletrônicos e esclarecer o quadro motivacional do crime. A investigação prosseguirá com medidas que incluem perícias complementares, oitivas e possíveis novas buscas, em pauta nas próximas horas.
La Via Italia continuará a acompanhar o caso com atualização imediata assim que novos elementos forem formalizados pela autoridade judicial.






















