Federica Torzullo teve o filho de 10 anos confiado aos avós maternos e ao prefeito de Anguillara Sabazia, decidiu o tribunal de menores de Roma após audiência sobre a guarda da criança. A medida, tomada em caráter protetivo, visa resguardar o menor afetado por uma sequência de eventos que levou à morte da mulher.
O homem acusado do crime, Claudio Carlomagno, está em prisão sob a acusação de ter assassinado a vítima. O juiz determinou que a tutela do menino ficará sob a responsabilidade do prefeito Angelo Pizzigallo, enquanto a guarda é exercida pelos avós maternos, decisão justificada pelo interesse superior do menor.
As investigações prosseguem em vários frontes. Os Carabinieri do núcleo investigativo do destacamento territorial de Ostia realizaram novo apreensão e inspeção na empresa de propriedade de Claudio Carlomagno. Naquele estabelecimento já havia sido periciado um dos veículos da firma: nas imediações do automóvel foi encontrado o corpo de Federica.
Os peritos também estão extraindo os dados de GPS do veículo do indiciado para reconstruir com precisão os deslocamentos do automóvel nas horas anteriores e posteriores ao crime. A análise dos registros eletrônicos e das imagens de vigilância compõe o quadro probatório em formação.
O cenário foi agravado pelo duplo suicídio — descoberto no sábado à tarde — dos pais do acusado, Pasquale Carlomagno e Maria Messenio. “É um horror que se adiciona ao horror de Federica“, afirmou o advogado Carlo Mastropaolo, que representa a irmã da vítima, Stefania, em declarações prestadas diante da casa em Anguillara Sabazia onde o crime ocorreu. A família Torzullo mantém o foco nos interesses da criança e na busca por uma apuração completa dos fatos.
Segundo os defensores da família, persistem “zonas de sombra” na reconstituição do que aconteceu. Stefania Torzullo teria manifestado o desejo de encontrar-se com Claudio Carlomagno para esclarecer pontos essenciais — um encontro que, segundo o advogado Mastropaolo, é difícil de concretizar, mas nasceria da necessidade de se chegar “à verdade verdadeira, e não à versão contada até aqui”.
A Procuradoria de Civitavecchia continua a investigação sem descartar linhas relevantes, incluindo a hipótese de premeditação, que os investigadores consideram ainda prematura para confirmação. No plano jurídico, o cenário descrito pelos advogados da família aponta para a tipificação do crime como feminicídio. “O motivo parece ter sido sufocar qualquer autonomia decisória de Federica“, declarou o advogado Nicodemo Gentile, afirmando que a imputação por feminicídio é pertinente e adequada ao caso.
Além das diligências policiais e das avaliações judiciais, movimentos sindicais ligados aos locais de trabalho de Federica pediram medidas simbólicas e de apoio: a Uil Poste Lazio e a Slc Cgil solicitaram à Poste Italiane a instalação de um banco vermelho em memória da mulher, que trabalhava no centro de triagem de Fiumicino, e a criação de uma bolsa de estudos em benefício do filho. “Um sinal para recordar a mulher, a trabalhadora, a mãe — e para apoiar, ainda que parcialmente, uma criança marcada por um trauma irreparável”, afirmaram os sindicatos.
As equipes forenses seguem à procura da arma do crime. A localização do instrumento homicida permanece como peça-chave para a investigação e para o esclarecimento definitivo da dinâmica dos fatos. Enquanto isso, todas as decisões relativas à guarda e tutela do menor se mantêm orientadas pelo princípio da proteção integral da criança, com acompanhamento institucional e judicial contínuo.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e atenção aos dados técnicos — como registros de GPS e perícias veiculares — permanecem no centro das ações investigativas. A realidade traduzida até aqui é de um processo em curso, com múltiplas frentes abertas e diligências que continuam a procurar respostas objetivas para o que levou à morte de Federica Torzullo.






















