Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A família do menino Domenico, que passou por um transplante de coração danificado em Nápoles, comunicou que iniciou a planejamento compartilhado de cuidados após constatar prognóstico sem possibilidade de melhora. A informação foi confirmada em entrevista ao vivo na emissora Rete4, durante o programa “Dritto e rovescio”.
Emocionada, a mãe, Patrizia Mercolin, afirmou: “Hoje estou muito, muito pior do que o habitual, mas enquanto meu filho respira… ele está lá, ainda está lá”. A fala foi acompanhada por um apelo claro: ela agradeceu a solidariedade dos italianos e recusou ofertas de auxílio financeiro, pedindo que eventuais donativos sejam direcionados à associação Aido.
Segundo relatos da família e do advogado Francesco Petruzzi, o quadro clínico de Domenico mudou após a retirada da sedação: o menino não se despertou e, diante da avaliação médica de um prognóstico infausto sem margem de dúvida, a família protocolou uma PEC ao hospital Monaldi solicitando a ativação do instituto jurídico conhecido como planejamento compartilhado de cuidados (pianificazione condivisa delle cure).
O advogado Petruzzi explicou, durante a participação no programa, que o instituto foi introduzido em 2017 e não se trata de eutanásia. A finalidade, segundo o relato jurídico e clínico, é evitar o accanimento terapêutico e realinhar o objetivo da terapia, quando indicado, da tentativa exclusiva de cura para o alívio do sofrimento — procedimento que se aplica quando há doença crônica, incapacidade progressiva e prognóstico considerado infausto.
A mãe recordou a data em que levou o filho ao hospital: 23 de dezembro, quando acreditava ter encontrado a chance de uma vida inteira para o menino. “Pensei que tinha chegado a salvação para ele, para viver uma vida inteira — em vez disso, não foi assim. Mudou toda a nossa vida”, disse. A família já começou a confrontar a aceitação da realidade; os irmãos de Domenico, de 5 e 11 anos, desejavam que o irmão voltasse para casa, mas, segundo a mãe, parecem ter compreendido que “o irmão não volta mais para casa”.
Do ponto de vista técnico-legal, o pedido formal enviado ao Monaldi inicia um processo de planejamento das condutas terapêuticas a seguir caso o paciente esteja incapaz de expressar o próprio consentimento. Trata-se de uma ferramenta que estabelece previamente limites e objetivos do tratamento com base no observado e no desejado pelo paciente ou seus representantes legais.
Em linguagem direta e sem ruído: a família comunicou publicamente a transição do foco médico — de tentativa de reversão a medidas voltadas para conforto e dignidade — e recusa do recebimento direto de doações financeiras, solicitando que a solidariedade seja canalizada para associações de doação de órgãos.
Continuaremos o acompanhamento do caso com atualização dos fatos brutos assim que houver manifestações oficiais do hospital Monaldi ou novos elementos documentais. A realidade traduzida até aqui é esta: expectativas de milagre coexistem com decisões formais para não prolongar tratamentos futilmente, em conformidade com o arcabouço jurídico-clínico vigente.






















