O retorno às aulas após as férias de Natal transformou-se, para muitos, em um teste de resistência. Não apenas por causa da rotina retomada, mas principalmente pelo frio intenso que atingiu a Itália: uma massa de ar vinda do Círculo Polar trouxe temperaturas muito baixas que se fizeram sentir dentro das escolas. Em diversas instituições, alunos e docentes assistiram às atividades letivas com casacos, agasalhos e mãos geladas devido a problemas no aquecimento e condições estruturais comprometidas — janelas quebradas, infiltrações e até mofo nas paredes — que, em casos extremos, forçaram o retorno ao ensino a distância.
Os números pintam um retrato preocupante: segundo pesquisa do Skuola.net com 1.200 estudantes de escolas médias e secundárias, oito em cada dez relataram ter sofrido com a queda de temperatura ao retornarem às aulas. Dados abertos do Ministério da Educação e do MIM, atualizados em setembro de 2025, indicam que cerca de 1,5% das escolas não dispõe sequer de um sistema de aquecimento e que em 8,7% dos casos não há informações claras sobre esse aspecto. Entre as demais instituições que possuem registros, a maior parte do aquecimento ainda depende de soluções caras, como instalações movidas a metano — predominantes em mais de três quartos dos estabelecimentos.
Um terço dos alunos (34%) aponta um problema de gestão: os aquecedores não foram ligados nos dias que antecederam o retorno às aulas, muitas vezes como medida de contenção de gastos, deixando ambientes inteiros frios por semanas — situação que compromete tanto a aprendizagem quanto a saúde de estudantes e professores. Às dificuldades se somam janelas que não retêm calor, infiltrações e focos de mofo nos tetos e paredes, fatores que agravam riscos respiratórios e desconforto nas salas de aula.
As histórias de desconforto se multiplicam de Norte a Sul. Nas regiões das Marche, por exemplo, fortes nevascas em 6 de janeiro provocaram o fechamento de escolas e a paralisação do transporte público no Maceratese e no Fermano. Organizações estudantis, como a Rete degli Studenti Medi, relataram à Fanpage.it a existência de várias escolas com sistemas de aquecimento fora das normas. Em muitos locais, a solução emergencial foi a alternância com a didática a distância — um remendo temporário que não resolve os alicerces do problema estrutural e orçamentário.
O episódio expõe a fragilidade da infraestrutura escolar e o peso da caneta nas decisões administrativas: economias imediatas em aquecimento podem traduzir-se em despesas maiores de saúde e em perda de qualidade do ensino. A arquitetura do direito à educação exige, além de currículo e professores, ambientes seguros e salubres. Enquanto isso não for prioridade nas políticas locais e nacionais, a ponte entre as decisões em Roma e a vida cotidiana nas salas de aula continuará frágil.
Paralelamente, vale lembrar que, desde terça-feira, 13 de janeiro, estão abertas as inscrições para as classes iniciantes do ano letivo 2026/2027: o prazo vai até 14 de fevereiro e pode ser concluído online na plataforma UNICA ou em formulário em papel (apenas para a educação infantil), conforme circular do MIM.
O problema do frio nas escolas não é pontual nem restrito a uma região — trata-se de uma questão estrutural que junta gestão, investimento e manutenção. Derrubar essas barreiras burocráticas e de financiamento é essencial para reconstruir os alicerces da educação cotidiana.



















