Para Adnkronos/Labitalia, na análise de Andrea Guffanti, general manager da Coverflex na Itália: o que até pouco tempo era tratado como um conjunto de benefit complementares passa por uma transformação estrutural. Em contexto de aumento do custo de vida e de salários nominais estagnados, o welfare corporativo assume papel central na estratégia de remuneração para 2026.
O Relatório sobre remuneração 2025 da Coverflex, segundo Guffanti, revela um quadro claro: enquanto os salários-base permanecem praticamente inalterados, as necessidades reais dos trabalhadores crescem. Diante dessa estagnação retributiva, as empresas não podem mais limitar-se a olhar somente para a busta paga tradicional. É preciso um modelo de compensação ampliada que integre o valor transferido ao colaborador de forma inteligente e eficiente.
Na prática, explica o executivo, o welfare deixa de ser um acessório agradável e se torna um mecanismo para aumentar o poder de compra dos empregados. As intervenções empresariais podem cobrir despesas correntes que incidem diretamente sobre o líquido do salário: da assistência sanitária à educação, do transporte a opções de tempo livre. Assim, a empresa atua sobre o orçamento familiar sem inflar a folha salarial direta.
Essa mudança, acrescenta Guffanti, transforma o welfare em uma política salarial efetiva. As organizações que adotam esse caminho colhem dois resultados simultâneos: ampliam o valor percebido pelo colaborador e aprimoram a eficiência tributária ligada ao trabalho.
O executivo sintetiza que o modelo antigo — em que o benefício era um ‘prêmio’ pontual — perdeu sentido. O que está em curso é a consolidação do salário integrativo como segunda perna da remuneração. Para as empresas, investir em welfare não é apenas uma alavanca de atração de talentos, mas uma necessidade para preservar a sustentabilidade econômica das famílias dos trabalhadores.
Do ponto de vista de governança e compliance, essa transição exige apuração rigorosa e cruzamento de fontes: definição clara de quais despesas serão cobertas, instrumentos contratuais transparentes e comunicação consistente com os empregados. A eficácia da medida depende ainda de avaliação contínua do impacto sobre o poder de compra e da otimização dos benefícios à luz da legislação fiscal vigente.
Em resumo, conclui Guffanti, o welfare corporativo passa de item de conforto a ferramenta concreta, mensurável e indispensável para proteger os rendimentos reais dos trabalhadores e fortalecer a relação entre empresa e empregado. A mudança não é cosmética: trata-se de reposicionar recursos e políticas para responder a um cenário de custos crescentes e salários pouco responsivos.
Apuração feita a partir do relatório da Coverflex e das declarações do seu general manager na Itália. Razão e dados brutos orientam a análise: o 2026 é apontado como o ano da virada, quando o welfare deixa de ser um complemento e assume função estrutural na remuneração.






















