Por Giulliano Martini — Em Roma, na cerimônia de inauguração do ano acadêmico 2025/2026, o decano da Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade Campus Bio‑Medico (UCBM), Bruno Vincenzi, delineou com precisão o eixo que orientará a formação na instituição: unir excelência científica e um conjunto claro de princípios éticos.
Ao explicar o tema escolhido para o ano letivo — “Educar a inteligência, cultivar a humanidade” — Vincenzi destacou que o Campus Bio‑Medico representa “uma síntese do nosso asseto valorial”, ou seja, a capacidade de desenvolver talentos individuais sem abrir mão de valores éticos que atravessam as áreas médicas, engenharias e ciências biológicas.
“Vivemos um momento histórico marcado por um desenvolvimento rápido das tecnologias ao serviço do ser humano”, afirmou o decano. “É imperativo saber governar essas tecnologias e orientá‑las de fato para o bem da pessoa.” A advertência de Vincenzi não é retórica: ele citou um exemplo prático e técnico para ilustrar o ponto. Na avaliação de exames de imagem, a inteligência artificial já atua na identificação de um nódulo pulmonar suspeito, mas o processo deve ser estruturado de modo a manter central a responsabilidade humana na decisão clínica.
O posicionamento do decano enfatiza dois vetores simultâneos que orientam a política acadêmica do Campus: a incorporação precoce de tecnologias avançadas nos percursos formativos e a criação de mecanismos de regulação e supervisão que preservem a autonomia e o discernimento profissional do futuro médico e pesquisador.
Vincenzi classificou a cerimônia como de “valor simbólico e institucional”. Entre os elementos destacados esteve a novidade de ter, pela primeira vez, um reitor que cresceu academicamente dentro do próprio Campus. “É a concretização de um percurso que vê pessoas formadas aqui assumirem posições de governança”, observou o decano, sublinhando a continuidade entre formação local e liderança institucional.
Do ponto de vista prático, a mensagem é clara: formar talentos não é apenas transmitir competências técnicas — é também implantar um quadro normativo e ético que guie o uso da inovação. Na prática acadêmica, isso impõe agendas de ensino que integrem bioética, regulamentação tecnológica e estudos de implementação clínica ao currículo tradicional.
Como correspondente com longa vivência no país e foco no cruzamento de fontes, registro que a fala de Vincenzi ecoa debates contemporâneos em universidades europeias e centros clínicos: a necessidade de protocolos claros para a aplicação de IA em contexto assistencial, e a convicção de que a tecnologia só cumpre seu papel quando posta ao serviço da pessoa e não como substituta da responsabilidade profissional.
O Campus Bio‑Medico, segundo o decano, pretende continuar como um laboratório institucionais desses princípios — integrando ciência, formação profissional e ética — com impacto direto sobre a prática clínica e a governança acadêmica.






















