Vicenzaoro January 2026 abriu suas portas em Vicenza com declarações que traçam, de forma direta e sem rodeios, o quadro atual da indústria joalheira italiana. Em discurso na inauguração da feira — evento central para a cadeia produtiva de ourivesaria, joalheria e relojoaria — Maria Cristina Squarcialupi, presidente nacional da Confindustria Federorafi, enfatizou que cerca de 90% do faturamento do setor advém do export.
Segundo Squarcialupi, a edição de janeiro da feira é particularmente voltada ao público internacional, o que reforça a dependência do mercado exterior. “A importância desta edição reside sobretudo no fato de ser dedicada aos clientes internacionais e, como se sabe, o nosso setor vive de export”, disse a dirigente durante a cerimônia de abertura.
O diagnóstico apresentado segue o padrão do raio-x obtido pelo setor: após três anos de forte expansão, 2025 registrou uma desaceleração significativa. Dados referentes aos primeiros nove meses do ano mostram uma queda de 15,2% — uma retração atribuída a múltiplos fatores, entre os quais a instabilidade geopolítica, a grande volatilidade dos preços dos metais preciosos e as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Com projeção para o conjunto de 2025, a análise aponta para uma perda líquida estimada em torno de 2 bilhões de euros em termos de export. Para 2026, as perspectivas iniciais não são animadoras: o ouro e a prata atingiram níveis de preço imprevisíveis e novas tensões geopolíticas, citadas como a situação envolvendo o Irã e a consequente instabilidade no Médio Oriente, pressionam mercados que são historicamente relevantes para a indústria italiana.
“Esperamos, portanto, um 2026 ainda incerto e complexo. Confio, porém, na capacidade do setor de reagir, de reestruturar-se e de reposicionar-se após uma pausa estratégica para entender como abordar esses novos cenários”, afirmou Squarcialupi. Ela recordou que a Itália permanece a terceira maior potência manufatureira mundial na área de joalharia, atrás apenas de gigantes como China e Índia, resultado atribuído às competências técnicas, à criatividade e à qualidade dos produtores italianos.
O discurso reforçou outro ponto prático do momento: as empresas italianas estão a crescer em dimensão e buscam a agregação como mecanismo competitivo. A consolidação empresarial surge, segundo a presidente da Confindustria Federorafi, como uma resposta pragmática para enfrentar a volatilidade dos mercados internacionais e a pressão sobre custos e tarifas.
Esta reportagem foi produzida com apuração em evento oficial e cruzamento de informações divulgadas pela entidade representativa do setor. Fatos brutos: queda de 15,2% nos primeiros nove meses de 2025, projeção de perda exportadora de cerca de 2 bilhões de euros, dependência de cerca de 90% do faturamento ao export e sinalizações de 2026 como um ano de incertezas geopolíticas e de preços de metais preciosos.


















