Taverna Flavia, o endereço histórico da Dolce Vita romana, reabriu suas portas em Roma depois de anos de silêncio. Localizada no número 11 da Via Flavia, no elegante bairro Ludovisi, a casa foi restaurada e relançada pelo empresário romano Luca Di Clemente, que confiou a cozinha ao chef Andrea Lattanzi. A reabertura marca o retorno de um espaço que, nos anos 1960, era ponto de encontro obrigatório para estrelas internacionais e divas italianas.
Nos registros e memórias do lugar aparecem nomes como Audrey Hepburn, Ava Gardner, Joan Collins, Liz Taylor, além das italianas Sophia Loren e Claudia Cardinale. Era esse o cenário que consagrou a Taverna Flavia como um símbolo da mondanidade capitolina: uma verdadeira “the place to be” daquela época. As paredes, então, funcionavam como um verdadeiro wall of fame, com fotografias e dedicatórias que atestavam a relação próxima entre o proprietário Mimmo Cavicchia e seus hóspedes célebres.
Após a morte de Mimmo Cavicchia em 2016, o restaurante passou por uma fase de gestão familiar e, então, fechou. Foram oito anos de portas fechadas até a iniciativa de Luca Di Clemente, já conhecido na área por outros empreendimentos nos bairros Porta Pia e Castro Pretorio, de relançar o espaço e tentar recuperar o prestígio histórico, agora reinterpretado em linguagem contemporânea.
Em entrevista a Adnkronos/Labitalia, Di Clemente afirmou que reabrir a Taverna Flavia implica assumir “uma responsabilidade precisa” em relação à sua história: “significa raccogliere l’eredità di fascino e magia che ne ha fatto la fama per decenni, per riportarla nel presente con rispetto e devozione”. Na prática, a intenção não é reproduzir uma nostalgia estática, mas transformar a aura da Dolce Vita em inspiração adaptada ao público atual.
Na cozinha, o chef Andrea Lattanzi propõe um cardápio que parte da tradição romana para chegar a releituras contemporâneas. Segundo a equipe, o menu privilegia produtos locais e técnicas clássicas revisitadas, com o objetivo de manter a autenticidade dos sabores enquanto oferece um discurso culinário atual. A sala dedicada a Liz Taylor — relato que integra a memória afetiva do local — foi preservada como referência histórica, assim como o conjunto de fotografias e dedicatórias que compõem o wall of fame.
Da minha apuração in loco e do cruzamento de fontes com personagens ligados ao período de ouro da Taverna Flavia, fica claro que o projeto atual aposta em dois vetores: conservação da memória e atualização do serviço. O primeiro é visível nas escolhas de decoração e na manutenção de áreas icônicas; o segundo, nas propostas de pratos e na gestão profissionalizada empreendida por Di Clemente.
Do ponto de vista urbano e cultural, a reabertura reconecta um patrimônio de sociabilidade ao circuito gastronômico da cidade, situando novamente a Taverna Flavia entre as referências para quem busca tanto história quanto experiência contemporânea em Roma. O desafio é recuperar clientela e notoriedade num cenário competitivo, sem diluir a identidade que a tornou célebre.
Fatos brutos: endereço confirmado (Via Flavia, 11), fundador identificado (Mimmo Cavicchia), chef responsável (Andrea Lattanzi), empreendedor à frente do relançamento (Luca Di Clemente), período de fechamento (oito anos) e referência de clientela ilustre nas décadas de 1960 e 1970. A apuração combina documentos públicos, depoimentos preservados nas paredes do estabelecimento e a declaração pública do novo proprietário.
Conclusão provisória: a Taverna Flavia retorna como um híbrido entre museu vivo e restaurante contemporâneo. A verificação futura poderá medir o sucesso do empreendimento pelo equilíbrio entre preservação da memória e renovação do repertório gastronômico.






















