Roma — Um risco silencioso e generalizado está corroendo a defesa das pequenas e médias empresas italianas: a utilização não autorizada de ferramentas de inteligência artificial por funcionários, o chamado Shadow AI. Levantamento citado por especialistas indica que 68% dos colaboradores italianos recorrem a chatbots e plataformas de IA sem comunicar a direção, abrindo janelas para vazamento de informações estratégicas e exposição a sanções financeiras.
Apuração com especialistas do setor e dados compilados por Alessandro Ciciarelli, fundador do IntelligenzaArtificialeItalia.net, revela a contradição entre o investimento formal das lideranças e a prática cotidiana: enquanto 70% dos dirigentes alocam recursos em IA generativa para ganhar competitividade, grande parte da força de trabalho utiliza versões públicas e gratuitas dessas ferramentas — frequentemente sem qualquer controle ou política interna.
O diagnóstico é claro. Apenas 7% das pequenas empresas e 15% das médias declararam ter projetos estruturados de inteligência artificial. Frente a esse vazio de governança, colaboradores recorrem a soluções externas para atender prazos: comerciais submetendo propostas sigilosas a ChatGPT para melhorar a redação; técnicos colando códigos e chaves de acesso em chatbots públicos; profissionais de recursos humanos alimentando ferramentas com currículos internos. A consequência é um ambiente onde cada tarefa rotineira se transforma num potencial vetor de risco para os dados corporativos.
O impacto econômico estimado é alarmante. Segundo as fontes consultadas, uma única violação de dados decorrente do uso indevido de IA pode custar a uma PMI italiana entre 1 e 3 milhões de euros, quando se somam sanções do GDPR, custos legais, prejuízo reputacional e interrupção das operações. O problema, sublinha Ciciarelli, não é a tecnologia em si, mas o “vazio de governança” que permite que a tecnologia circule sem regras nem controles.
Os números que acompanham a análise reforçam o alerta: 73% das empresas italianas manifestam preocupação com implicações de segurança ligadas à IA, e 15% relatam já ter sofrido uma violação atribuída a essas ferramentas no último ano. Para 55% das organizações, a barreira principal à adoção segura da tecnologia é a falta de competências internas, o que empurra colaboradores a buscar soluções externas para manter produtividade.
Especialistas ouvidos enfatizam medidas práticas e imediatas que as empresas devem adotar: implementação de políticas de uso de IA, programas de capacitação para funcionários, integração de ferramentas corporativas seguras que substituam serviços gratuitos e auditorias regulares de segurança de dados. Sem essas ações, alerta a fonte, a próxima fronteira do risco empresarial não será apenas o shadow IT, mas a Shadow AI, com impacto direto sobre privacidade, propriedade intelectual e continuidade dos negócios.
Em síntese, a realidade traduzida pelos dados aponta para uma lacuna estrutural: investir em inteligência artificial enquanto se negligencia a governança cria uma exposição que pode custar milhões e comprometer a sobrevivência competitiva das PMI italianas. A solução passa por políticas claras, tecnologia corporativa controlada e formação técnica — um tripé imprescindível para transformar risco em vantagem estratégica.






















