Premiação destaca trajetória jurídica e vínculo com a imigração italiana
Em reconhecimento ao seu percurso profissional e às suas origens, a Fundação Magna Grecia concedeu recentemente o Prêmio Internacional Magna Grecia ao juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, Samuel Alito. A distinção, entregue na histórica Galleria Doria Pamphilj em Roma, foi justificada pela fundação como a celebração de um ‘ponte ideal’ entre a Itália e os Estados Unidos, além de um reconhecimento por sua carreira jurídica notável.
A biografia de Samuel Alito foi apresentada como a síntese do sonho americano atravessado pela experiência da imigração italiana. Filho de imigrantes, seu pai, Salvatore Alati, nascido em 1914 em Saline Joniche, na Calábria, emigrou para os Estados Unidos e teve o nome adaptado para Samuel Alito Sr. O laureado nasceu em Trenton, no estado de New Jersey, em 1950, e cresceu num ambiente onde a educação era vista como a única rota de escape da pobreza: ambos os pais eram professores.
A história familiar foi destacada pela fundação e pelo próprio homenageado. Sua mãe, Rose, de origens lucanas, foi apontada como uma referência de determinação — única entre seis irmãos a cursar uma universidade e disposta a se deslocar de carro do New Jersey a Nova York para concluir um master na Columbia University. Esse quadro de esforço e sacrifício, segundo a apresentação do prêmio, moldou a formação pessoal e profissional de Alito.
Após estudos em instituições de prestígio como Princeton e Yale, Samuel Alito trilhou carreira no sistema jurídico norte-americano até ser indicado à Corte Suprema em 2005 pelo então presidente George W. Bush. Desde então, consolidou-se como uma voz de destaque na corrente conservadora e originalista da Corte, defensor da interpretação constitucional conforme o sentido que teria sido concebido pelos fundadores da república americana.
A cerimônia em Roma enquadrou a homenagem tanto como celebração das raízes quanto como reconhecimento público da influência internacional de seu trabalho. Alito figura agora em uma relação de laureados de alto perfil, que inclui nomes como o príncipe Alberto I de Mônaco; Federico Faggin, inventor do microprocessador; o ex-presidente argentino Mauricio Macri; o cineasta Giuseppe Tornatore; o virologista Robert Gallo; e o antigo governador de Nova York George Pataki.
Visivelmente comovido durante a premiação, Alito fez referência ao exemplo e à coragem dos avós e dos pais, descrevendo a história familiar como parte viva de sua identidade profissional — uma força que, nas palavras dele, contribui para a construção de instituições sólidas e sociedades mais justas. A Fundação Magna Grecia, ao ressaltar esse vínculo entre ascendência e serviço público, reafirmou seu papel em mapear personalidades que atuam como elo cultural entre a Itália e o mundo.
O reconhecimento a Samuel Alito ressalta a dimensão transatlântica das trajetórias pessoais que influenciam o cenário institucional. A cerimônia em Roma, de caráter simbólico, colocou no centro do debate público a combinação entre excelência jurídica e memória de origem — tema recorrente nas narrativas de migração que marcaram o século XX.






















