Por Giulliano Martini — Em apuração in loco e cruzamento de fontes, a conferência “O futuro da previdência complementar é hoje: o papel estratégico das empresas” reuniu, em Palazzo San Macuto, autoridades públicas, operadores do setor previdenciário, gestores de fundos e diretores de recursos humanos para um diagnóstico técnico sobre os desafios e as oportunidades do sistema complementar italiano.
O evento, promovido pelo presidente da XI Comissão Trabalho Público e Privado da Câmara dos Deputados, Walter Rizzetto, contou com a participação do subsecretário do Ministério do Trabalho e das Políticas Sociais, Claudio Durigon; da conselheira da IVASS, Rita D’Ecclesia; do conselheiro especialista do CNEL, Francesco Rotondi; e do administrador delegato da Arca Fondi SGR, Ugo Loeser. Patrizia Fontana apresentou pesquisa da Previverso sobre o conhecimento e as percepções de profissionais de RH.
Na avaliação técnica apresentada por Walter Rizzetto, “a primeira desafio é cultural”. Segundo o parlamentar, é necessário reforçar informação, formação e educação financeira sobre um instrumento ainda pouco conhecido e frequentemente subestimado. Rizzetto destacou que entre os jovens as adesões permanecem insuficientes, num contexto marcado por carreiras descontínuas, ingresso tardio no mercado de trabalho e queda demográfica. “Colocar trabalhadoras e trabalhadores em condições de compreender funcionamento, vantagens fiscais e perspectivas de longo prazo significa permitir escolhas realmente conscientes”, afirmou.
Ugo Loeser detalhou as inovações trazidas pela Finanziaria 2026 — entre elas auto enrollment, life-cycle, flexibilidade na saída e portabilidade — e como essas medidas podem melhorar tanto a fase de acumulação quanto a de decumulação dos recursos. Loeser ressaltou que as mudanças ampliam rendimentos potenciais e a qualidade do serviço: “A previdência complementar deve tornar-se um instrumento simples, acessível e próximo das pessoas.”
Do ponto de vista empírico, a pesquisa da Previverso, apresentada por Patrizia Fontana, ouviu mais de 300 profissionais de recursos humanos e revelou lacunas relevantes no conhecimento do quadro normativo que orienta escolhas previdenciárias. Entre perfis seniores, apenas 14% declararam possuir preparação completa sobre o tema. Ao mesmo tempo, 80% dos entrevistados reconhecem que a previdência complementar tem potencial para se tornar cultura de empresa, condicionando o tema a um processo de disseminação educativa e a uma adequação dos instrumentos ao mundo do trabalho contemporâneo.
Do ponto de vista pragmático, os debatedores sublinharam três eixos prioritários: informação qualificada e contínua aos aderentes, incentivos e mecanismos contratuais que facilitem a adesão no início da carreira e aperfeiçoamento regulatório que aumente a transparência e a portabilidade dos direitos. Em linguagem jornalística limpa e sem ruído, o consenso técnico foi de que a segunda coluna previdenciária representa uma alavanca essencial para estabilidade e sustentabilidade econômica das próximas gerações.
O encontro em Palazzo San Macuto funcionou como um raio‑X do cotidiano do sistema previdenciário: evidenciou avanços legislativos com potencial transformador, ao mesmo tempo em que confirmou a necessidade de uma estratégia coordenada entre poderes públicos, operadores e empresas para traduzir medidas em adesões reais e informadas.
Conclusão técnica: a combinação entre instrumentos legislativos (como os introduzidos pela Finanziaria 2026), campanhas de formação financeira e políticas empresariais pró‑ativas é condição necessária para que a previdência complementar deixe de ser conhecimento de nicho e passe a integrar a arquitetura do welfare corporativo e nacional.





















