Por Giulliano Martini — Em discurso no evento Progetto donna, realizado em Milão pela Ordem dos Engenheiros da província, a engenheira aeroespacial e professora honorária do Politécnico de Milão Amalia Ercoli Finzi defendeu medidas duras contra a desigualdade doméstica e salientou a necessidade de reconhecer a responsabilidade compartilhada na criação dos filhos. “A genitorialidade é um direito, mas o dever de educar não pode ficar apenas com as mulheres”, declarou a pesquisadora.
Ercoli Finzi sugeriu, em tom objetivo e direto, a aplicação de uma multa para homens que se eximem das tarefas domésticas. “Metterei una multa agli uomini che non si occupano della casa, perché non è giusto. È un problema di cultura”, afirmou, traduzindo numa proposta concreta um diagnóstico que associa a desigualdade a um problema cultural estruturado.
O relato de Ercoli Finzi incluiu uma lembrança histórica que contextualiza a luta pela igualdade: ela recordou a primeira edição de um jornal datado de 6 de junho de 1946, com a manchete “È nata la Repubblica italiana” — data em que as mulheres italianas votaram pela primeira vez. “Ricordo di aver letto quel giornale e di aver pensato: ‘Questo è davvero un cambiamento per noi'”, disse a engenheira, sublinhando o paradoxo de que o sufrágio feminino ocorreu anos depois de muitos homens analfabetos já exercerem o voto.
Na sua análise factual, Ercoli Finzi chamou atenção para a persistência de barreiras institucionais e culturais: apesar de haver mulheres em cargos executivos, é comum que posições de poder sejam preenchidas por homens, muitas vezes por sucessão familiar. “Esistono ancora politiche e sistemi per cui alle donne non viene riconosciuto ciò che meritano”, afirmou. Em sua avaliação técnica, a substituição de uma liderança masculina por outra perpetua a desigualdade de acesso às decisões.
Ao direcionar uma mensagem às novas gerações, a engenheira foi enfática quanto à necessidade de ação: “Alle ragazze dico: abbiamo diritti civili. Se non ci vengono riconosciuti, dobbiamo fare la rivoluzione”. A frase, dita em um evento público voltado ao tema feminino, traduz um apelo por mudanças estruturais e por mobilização social para garantir direitos civis e reconhecimento profissional.
Em linguagem direta e com cruzamento de referências históricas e contemporâneas, a apresentação de Amalia Ercoli Finzi combinou diagnóstico cultural com propostas pragmáticas. O convite à responsabilização masculina nas tarefas domésticas e na educação dos filhos aparece como uma estratégia para enfrentar assimetrias que persistem no mercado de trabalho e nas esferas decisórias.
Apuração e verificação: as declarações foram proferidas durante o evento Progetto donna em Milão, organizado pela Ordem dos Engenheiros da província. Ercoli Finzi é figura pública conhecida no meio acadêmico e científico italiano, com currículo público que confirma sua posição como professora honorária do Politécnico de Milão.
Conclusão factual: as palavras da engenheira colocam no centro do debate público a combinação entre direitos civis, responsabilidade compartilhada e reformas culturais — e propõem medidas concretas, como sanções administrativas, para forçar uma mudança de comportamento que, no diagnóstico apresentado, não se resolverá apenas por normas retóricas.






















