Giulliano Martini – Em entrevista à Adnkronos/Labitalia, Jörg Buck, conselheiro delegado da Câmara de Comércio Ítalo-Alemã (Ahk Italien), reafirmou a necessidade de um aprofundamento político e económico da parceria ítalo-alemã para sustentar o relançamento produtivo na Europa. Buck recordou que, desde a assinatura do Plano de Ação em 2023, a Ahk Italien tem defendido repetidamente um coordenação mais estreita entre os dois países, dada a profunda integração das suas cadeias de valor.
Segundo Buck, a convergência de posições entre os primeiros-ministros Giorgia Meloni e Friedrich Merz em temas europeus decorre, em grande medida, do encontro intergovernamental e do fórum empresarial de janeiro. Na ocasião, sublinhou-se que o reforço da parceria ítalo-alemã, através de uma maior integração política e económica, não é apenas uma prioridade bilateral, mas uma necessidade para toda a Europa. “O horizonte de referência é europeu, e não simplesmente nacional ou bilateral”, afirmou o dirigente.
O conselheiro delegado da Ahk Italien lembrou que Itália e Alemanha representam, em conjunto, o “núcleo manufatureiro” do continente: cerca de 40% da produção industrial europeia. Com base em dados trimestrais do Istat, Buck destacou que o aumento da produção industrial alemã impulsionou o comércio bilateral no terceiro trimestre de 2025, chegando a 118 bilhões em setembro de 2025, um crescimento de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“As empresas dos dois países mantêm relações de interdependência e co-produção profundamente enraizadas nas respectivas cadeias de valor”, observou Buck. Para ele, quando se discute revitalização produtiva, competitividade, sustentabilidade e segurança económica devem avançar de forma simultânea, garantindo um crescimento estável e duradouro.
Buck pontuou que vários setores enfrentam transformações estruturais relevantes — citou, a título de exemplo, o automóvel e setores de alta intensidade energética, como a siderurgia — e defendeu a necessidade de uma visão estratégica partilhada. “Mais do que focar em setores isolados, é fundamental desenvolver uma política industrial coordenada entre Itália e Alemanha para reavivar a produtividade europeia e proteger o nosso património manufatureiro”, enfatizou.
Como caminho prático, o dirigente da Ahk Italien indicou três prioridades essenciais para consolidar essa agenda conjunta:
- Simplificação e redução de encargos administrativos: acelerar processos decisórios e dar às empresas a flexibilidade necessária para investir e inovar.
- Segurança energética e transição sustentável: assegurar fornecimento estável de energia enquanto se promove a descarbonização, com mecanismos coordenados de apoio a investimentos em eficiência e tecnologias limpas.
- Investimento em inovação, qualificação e infraestrutura: reforçar pesquisa, formação profissional e digitalização para elevar a produtividade e a resiliência das cadeias produtivas.
Estas prioridades, segundo Buck, exigem um compromisso político de duas capitais e uma articulação clara ao nível europeu: só assim será possível preservar a competitividade industrial do continente e efetivar um relançamento produtivo que seja sustentável e seguro do ponto de vista económico.
Na leitura de Buck, o reforço da cooperação ítalo-alemã deve ser avaliado como projeto estratégico europeu — um “raio‑x do cotidiano” produtivo que exige coordenação política, decisões ágeis e um alinhamento de instrumentos públicos e privados. “A urgência é real — para a Itália, para a Alemanha e para a Europa”, concluiu, sublinhando a necessidade de transformar convergência política em ações concretas para as empresas.
Apuração, cruzamento de fontes e análise técnica respaldam a avaliação da Ahk Italien: a integração produtiva entre Itália e Alemanha continua a ser um vetor decisivo para a recuperação industrial europeia.






















