Roma, 11 de fevereiro de 2026 — Em reação ao debate público desencadeado pela investigação da Procura de Milão sobre a Foodinho, empresa que opera o serviço da Glovo na Itália, Paolo Capone, Secretário-Geral da UGL, rebateu as acusações de que o acordo assinado entre a central e a Assodelivery seria um “contrato pirata”. A posição foi apresentada com tom técnico e acompanhado de dados numéricos que, segundo Capone, consolidam a legitimidade do instrumento.
Em entrevista à nossa redação, Capone afirmou que o acordo foi concebido “a partir dos trabalhadores” e aplicado concretamente no setor. No perímetro de Assodelivery atuam cerca de 40.000 riders, enquanto a UGL representa 13% do conjunto dos trabalhadores do setor e mais de 90% dos entregadores sindicalizados naquela associação. “Números objetivos, não opiniões”, resumiu.
Ao traçar o conteúdo do pacto, o dirigente sindical detalhou cláusulas centrais: remuneração fixa de 10 euros por hora trabalhada; majorações cumulativas de 10% para trabalho noturno, feriado e condições climáticas adversas; obrigatoriedade de formação; fornecimento de vestuário técnico; e reconhecimento de acidente profissional. Capone salientou que, durante todo o período de aplicação, a UGL não recebeu sinalizações de pagamentos reduzidos ou não efetuados aos trabalhadores cobertos pelo contrato.
Capone também destacou que a organização sindical denunciou práticas de exploração distintas do conteúdo contratual, especialmente o subcontrato de contas — definido por ele como uma forma de “caporalato digital” — e sugeriu mecanismos de combate técnico, como ferramentas de reconhecimento biométrico para identificar fraudes e intermediações irregulares.
Sobre a crítica explícita da liderança da UIL à representatividade do acordo, Capone defendeu que a representação se mede no terreno: “A representatividade se avalia nos locais de trabalho, entre os trabalhadores, não em declarações de congresso”. O líder da UGL disse estar aberto a discussões sobre representatividade e não temeu a realização de um eventual “election day”, convencido de que os riders saberiam distinguir quem efetivamente os escutou.
Na avaliação final, Capone sustentou que o contrato da UGL introduziu regras, tutele e transparência em um setor até então carente desses elementos, conciliando autonomia dos trabalhadores com garantias laborais. “Os fatos, não os slogans, demonstram quem protege de fato esses trabalhadores”, concluiu.
Apuração: reportagem em cruzamento de fontes jurídicas e sindicais; declaração de Paolo Capone registrada em pronunciamento oficial da UGL sobre o caso Foodinho/Glovo.






















