Em entrevista ao Adnkronos/Labitalia, Raffaello Napoleone, presidente da It-ex, associação que representa as feiras italianas de caráter internacional, avaliou que o ano de 2026 começará sob a égide da complexidade, mas também com oportunidades reais para o Made in Italy. Segundo Napoleone, os sinais observados nas bolsas e a capacidade de reação dos empresários indicam caminhos para expansão comercial.
“O 2026, fin da janeiro, se apresenta como um ano ainda complicado. É igualmente verdadeiro que, olhando para o comportamento das bolsas e a iniciativa de nossos empresários, e portanto sua vontade de reagir, acreditamos que existam oportunidades e possibilidades, veja o Mercosur, para realizar ações interessantes que levarão a um aumento dos faturamentos e da penetração do produto made in Italy na manufatura”, declarou Napoleone na conversa com a imprensa.
Ao traduzir o comentário do dirigente à realidade das empresas italianas, é preciso considerar dois vetores: primeiro, a resiliência do setor privado, que tem demonstrado flexibilidade para redirecionar canais comerciais e produtos; segundo, as plataformas de internacionalização representadas pelas feiras organizadas por It-ex, que funcionam como vitrines e pontos de contato entre oferta industrial e mercados externos.
O apelo de Napoleone para olhar o Mercosur como mercado estratégico é coerente com a dinâmica global de redirecionamento de cadeias de suprimento e busca por novos polos de consumo. O bloco, composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mostra-se relevante para bens de consumo e para componentes industriais onde o selo italiano tem valor agregado reconhecido.
Na leitura técnica que prefiro adotar — baseada em apuração in loco e no cruzamento de fontes setoriais — a advertência sobre a complexidade de 2026 não anula a hipótese de crescimento. Volatilidade nos mercados financeiros ou condicionantes macroeconômicos podem reduzir margens de curto prazo; ainda assim, estratégias bem calibradas de exportação e participação em feiras internacionais tendem a ampliar a penetração do Made in Italy e a elevar faturamentos no médio prazo.
O papel de It-ex passa por facilitar essa travessia: promover calendários de eventos com foco em mercados prioritários, oferecer inteligência comercial aos expositores e articular parcerias institucionais que reduzam barreiras de entrada. Essas são ações concretas que, segundo Napoleone, podem transformar um contexto desafiador em uma janela de oportunidade para as empresas italianas.
Sem sentimentalismos, a leitura é direta: 2026 exigirá prudência e proatividade. A conjugação entre iniciativa empresarial e plataformas de internacionalização, como as feiras organizadas por It-ex, é a via apontada pelo presidente para preservar e ampliar a competitividade do Made in Italy em mercados de peso como o Mercosur.
Apuração e cruzamento de fontes indicam que essa combinação — resposta rápida dos empresários e uso estratégico de instrumentos de promoção comercial — será determinante para converter o ano complexo em resultados concretos para a indústria italiana.






















