Em análise exclusiva do Report Donne elaborado por Manageritalia a partir dos dados oficiais do INPS 2024, confirma-se um movimento estrutural de aumento da presença feminina entre os cargos de direção no setor privado italiano. Em véspera da Giornata Internazionale della Donna, os números mostram que as mulheres manager cresceram muito além da média: enquanto o total de dirigentes privados aumentou 2,6% em relação ao ano anterior, as mulheres avançaram 6,2%, contra 1,5% dos homens.
O salto feminino é histórico: desde 2008 as mulheres em posições de direção mais que dobraram (+114%), mesmo período em que os homens registraram ligeira queda (-1,3%). O ganho agregado de dirigentes privados (+12,4%) no intervalo analisado é, portanto, integralmente atribuível ao aumento da componente feminina. Hoje as mulheres representam cerca de 23% do total de dirigentes privados e alcançam cerca de 40% entre os profissionais com menos de 40 anos; o relatório também traz a cifra pontual de 22,7%, contra 19,1% em 2020, reforçando a tendência de avanço.
Estes dados foram cruzados e verificados com as séries temporais do INPS para eliminar ruídos estatísticos e confirmar a consistência do fenômeno: crescimento persistente ano a ano, concentração mais alta nas faixas etárias inferiores e distribuição setorial que privilegia setores dinâmicos da economia.
Em declaração oficial, Cristina Mezzanotte, coordenadora da área Deia de Manageritalia, destaca que a presença ampliada das mulheres na gestão é um “mudança concreta”: “as mulheres manager não só crescem em número, mas estão contribuindo de forma determinante para a evolução qualitativa da classe dirigente do País. As empresas mais conscientes estão adotando sistemas de welfare que possibilitam a continuidade da carreira sem renúncia à parentalidade. As novas gerações de managers exigem períodos de congedo equivalentes para ambos os pais.”
Mezzanotte chama atenção para a Normativa 2023/970, cuja implementação obriga as empresas a adotar políticas de transparência retributiva: informações claras sobre salário inicial nas ofertas de emprego e mecanismos de verificação do gap salarial. Caso o desvio de remuneração por gênero ultrapasse 5% sem justificativa, a empresa deverá intervir junto às representações sindicais. No plano europeu, os dados apontam que as mulheres ganham, em média, 13% menos que os colegas homens.
Para Marco Ballarè, presidente de Manageritalia, “a expansão das mulheres na gestão é um indicador concreto da evolução do nosso sistema produtivo”. Ballarè enfatiza que consolidar a tendência exige investimento em competências, critérios meritocráticos e renovação geracional: “uma liderança mais inclusiva resulta em empresas mais competitivas e num País mais forte”.
Dos fatos brutos colhidos no relatório emerge um raio-x sem ambiguidades: houve avanço quantitativo e sinais de mudança qualitativa, mas persistem desafios institucionais e organizacionais — desde a aplicação efetiva da transparência retributiva até políticas de conciliação laboral e familiar que garantam progressão de carreira sustentável.
Apuração e cruzamento de fontes confirmam que a trajetória das mulheres dirigentes é robusta e em aceleração, especialmente entre os profissionais mais jovens. A pergunta que se impõe agora, traduzida em termos de política industrial e de recursos humanos, é se o sistema público e as empresas estarão à altura de transformar este impulso em igualdade salarial e oportunidades de longo prazo.






















