Managing for Inclusion, iniciativa promovida por Manageritalia, aportou em Roma integrando um roteiro nacional destinado a preparar pequenas e médias empresas para a obtenção da certificação de gênero. O evento, realizado no Grand Hotel Gianicolo por iniciativa de Paola Vignoli (coordenadora do Grupo Manageritalia para Lazio, Abruzzo, Molise, Sardegna e Umbria), reafirmou a proposta prática de apoio às PMI em matéria de inclusão, igualdade de oportunidades e acesso a incentivos públicos.
O objetivo declarado do percurso é técnico e objetivo: orientar empresas e gestores na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, estruturar trajetórias de carreira que reduzam o gap salarial e a diferença de oportunidades entre homens e mulheres em funções equivalentes, além de facilitar o acesso a fundos nacionais e aos benefícios fiscais destinados às PMI. A estratégia combina assistência metodológica com informações práticas sobre requisitos para a certificação de gênero.
Os dados de contexto apresentados durante o encontro corroboram a necessidade da iniciativa. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2025 as mulheres representavam apenas dois quintos da ocupação mundial, um quadro que evidencia barreiras persistentes ao ingresso no mercado de trabalho. A participação feminina na força laboral seguia 24,2% abaixo da masculina; entre as jovens a probabilidade de estarem fora do mercado de trabalho e da educação era 14,4% superior. O tasso de desemprego feminino era apenas marginalmente superior ao masculino, sinalizando que o principal entrave reside na entrada no emprego. Para 2026 o diferencial de ocupação estimado permanece substancial, em cerca de 4,3 pontos percentuais.
No cenário italiano as fragilidades se mantêm. Em 2023, entre trabalhadores com contrato permanente, os homens eram 59,9% enquanto as mulheres representavam 40,1%; nos contratos a tempo determinato a proporção era quase equilibrada (48,3% mulheres versus 51,7% homens). Contudo, a desigualdade torna-se nítida nos níveis hierárquicos: apenas 21,1% dos cargos de dirigente são ocupados por mulheres, contra 78,9% por homens; entre os quadros a participação feminina é de 32,4% frente a 67,6% masculina.
O raio-x setorial também revela um gap salarial acentuado. Em 10 dos 18 setores analisados, as mulheres ganham mais de 20% a menos; nas atividades financeiras e seguradoras a diferença média atinge 32,1%, nos serviços profissionais, científicos e técnicos 35,1% e no setor imobiliário 39,9% (Fonte: Rendicon).
O programa Managing for Inclusion aposta em ações concretas: avaliações de práticas internas, formação de manager e HR, protocolos para igualdade salarial e orientação para o pedido de certificação de gênero. A itinerância — iniciada por Bolonha e seguindo por Roma — aponta para uma cobertura nacional destinada a transformar dados e diagnósticos em medidas de conformidade e competitividade para as PMI.
Apuração em campo, cruzamento de fontes estatísticas e foco na operacionalidade marcam a abordagem: não se trata apenas de sensibilizar, mas de equipar empresas com instrumentos técnicos para avançar em diversidade e equidade de gênero, pontos que afetam diretamente a produtividade e a capacidade de acesso a incentivos públicos.
O evento romano renovou a ênfase em um percurso de apoio técnico e regulatório que, se adotado em escala, pode reduzir barreiras históricas ao emprego feminino e atenuar o gap salarial que persiste em setores-chave da economia.
Reportagem e apuração por Giulliano Martini — Espresso Italia.






















