Giulliano Martini – Apuração e análise: Os dados divulgados pelo Istat referentes a 2025 apontam para uma evolução positiva das retribuições contratuais na Itália. Segundo o instituto estatístico, a remuneração média contratual cresceu 3,1% em relação ao ano anterior, superando o ritmo da inflação registrada (+1,7%). O resultado indica um primeiro sinal de recuperação do poder de compra dos trabalhadores após anos marcados por pressões inflacionárias.
Em nota oficial, Paolo Capone, secretário-geral da UGL, declarou que o aumento geral confirma tendências positivas para o mercado de trabalho e para a massa salarial. Os dados mostram, no detalhamento setorial, que o setor privado registrou alta de 3,2%, com destaque para a agricultura (+5,0%) e a indústria (+3,4%). Na administração pública, o crescimento foi de 2,7%, resultado associado aos processos de renovação contratual do triênio 2022–2024.
O levantamento do Istat também aponta que 48 contratos coletivos nacionais cobrem aproximadamente 7,6 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 57,8% do total de assalariados. Trata-se de um universo amplo que explica, em parte, a transmissão dos reajustes contratuais para a massa salarial.
Capone atribui esses resultados à conjugação de medidas implementadas pelo Governo, entre as quais a redução da aliquota do IRPEF para 33%, a detaxação dos prémios de produtividade e dos adicionais por trabalho extraordinário em turnos noturnos e festivos, o corte do cuneo fiscale, além do apoio à renovação dos contratos coletivos. A ação governamental também inclui iniciativas como a ZES Unica e medidas de desburocratização, apontadas como fatores que favorecem produtividade e emprego.
Do ponto de vista econômico, o ganho real observado — diferença entre a evolução das retribuições contratuais e a inflação — sinaliza um alívio imediato no poder aquisitivo dos rendimentos formais, com potencial para reativar consumo e dinamizar setores com forte ligação à demanda interna. A UGL salienta que a combinação de políticas fiscais e negociações salariais tem papel central nessa dinâmica.
Como repórter, destacamos que os números do Istat representam um retrato técnico e pontual da conjuntura salarial de 2025. Cabe ao cruzamento de fontes e ao acompanhamento dos próximos trimestres verificar se essas tendências se consolidam, sobretudo diante das variáveis macroeconômicas e das pressões sobre preços.
Em resumo, os dados oficiais mostram: crescimento de 3,1% nas retribuições contratuais em 2025, inflação a 1,7%, expansão mais forte no setor privado (3,2%) e renovação contratual relevante no setor público (2,7%). A leitura sindical, representada por Paolo Capone e pela UGL, interpreta o conjunto como uma recuperação do poder de compra e como efeito das medidas governamentais de estímulo à produtividade e ao emprego.
Giulliano Martini
Correspondente — Espresso Italia






















